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O que deve uma comunidade fazer com a sua terra que não é utilizada? Pam Warhurst, co-fundadora do projeto Incredible Edible, explica como conseguiu, com a ajuda de uma equipa crescente de voluntários, tornar a terra não utilizada da sua pequena cidade em jardins vegetais comunitários e caminhos comestíveis, revolucionando a vida e a economia da sua comunidade.

21 de junho de 2012, 8h da manhã, chuva no Rio de Janeiro.

A caminho do Galpão da Cidadania, a região portuária do Rio com seus inúmeros galpões vazios, ruas confusas cheias de carros nervosos e pessoas amontoadas pelas calçadas inseguras.

Dentro do Galpão da Cidadania, o Seminário Diálogos Setoriais União Europeia-Brasil sobre Economia Criativa. Dois dias cheios de riquíssimas discussões sobre como empoderar os criativos com os instrumentos que lhes faltam para promover a tão sonhada transformação da sociedade e do meio em que vivemos.

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Lá fora a cidade rangia seus dentes de concreto, cuspia fumaça, gritava histericamente.

Lá dentro os criativos do Brasil e da Europa debatiam sobre economia, sobre como potencializar nossa originalidade e recombinar pessoas e lugares, sobre a formação para os setores criativos, as tecnologias sociais e novos modelos de negócios para o setor. Falas muito interessantes.

Logo no primeiro dia, Leo Feijó, empresário carioca à frente de mais de 10 espaços de cultura no Rio, defendia a ‘Economia da Noite’. Palco dos boêmios e dos artistas (também de trabalhadores, de famílias, turistas etc), a noite é co-responsável pela formação da cultura local, patrimônios material e imaterial, e tem um grande peso econômico que deve ser considerado pelas políticas públicas, pelas diretrizes de desenvolvimento urbano SUSTENTÁVEL.

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No segundo dia dois estrangeiros nos chamaram muita atenção: Ingrid Walther, representando o governo de Berlim, e Ricardo Luz apresentando o trabalho da ADDICT (Agência para o Desenvolvimento das Indústrias Criativas) na região norte de Portugal. A alemã apresentou uma realidade tão aparentemente perfeita que nem foi muito solicitada posteriormente no debate. Berlim, considerada a capital do design, vem há alguns anos investindo na formação empreendedora de seus criativos (pasta do Ministério da Fazenda, não da Cultura, como aqui no Brasil). Já o português fez uma palestra extremamente motivante, convidando a plateia para a transformação do tradicional, numa exposição sobre as várias revoluções que vivemos atualmente (demográfica, econômica, recursos naturais, ciência e tecnologia, informação e conhecimento, segurança e governança).

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Encerrando em grande estilo, Andre Martinez da Aprax – Arquitetura Cultural, falou sobre empreendedorismo e aprendizagem, e terminou por inundar a plateia com os conceitos de co-empreendedorismo, co-design, co-vivência, co-laboração.

Lá fora, o dia corria depressa; o taxista não compreendia no que efetivamente a Rio+20 resultava; as morenas não conseguiam bronzear-se sob o céu cinza na praia de Copacabana; as filas intermináveis, as passeatas em marcha-ré e todas as pompas para os chefes de estado que não se entendiam sobre os rumos da ‘economia verde’.

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Mas no quê mesmo resultou a Rio+20? Certamente, não foram os tratados políticos que se destacaram na construção do “Futuro que Queremos”. Mas valeu e muito pelas experiências, pelas trocas, pelas alianças, pelas redes que se formaram e se afirmaram entre os vários segmentos da sociedade, dos povos, num exercício constante de reinventar o mundo.