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Segundo o PPS – Project for Public Spaces, principal organização para a difusão desse conceito, Placemaking é, como o nome sugere, a criação de ‘lugares’. A ideia é, a partir dos desejos e da criatividade da própria comunidade, transformar um espaço em um lugar e fazer dele o coração da comunidade.

O PPS foi criado a partir do trabalho coordenado pelo urbanista William Whyte que estudou na década de 80 o comportamento das pessoas pelos espaços públicos, especialmente em cidades norte americanas. A partir daí foi desenvolvido todo um arcabouço técnico e teórico para a criação de espaços públicos voltados para e a partir das necessidades humanas. Nós já falamos dos instrumentos do PPS aqui. Atualmente o PPS trabalha em projetos e consultorias em cidades do mundo inteiro, inclusive em Brasília, estigma do planejamento urbano de prancheta.

PPS

No começo de setembro passado, a Sobreurbana esteve na Conferência Internacional Future of Places – Streets as Public Spaces and Drivers of Urban Prosperity, que aconteceu em Buenos Aires. Esta foi a segunda de uma série de três conferências propostas pelo PPS em parceria com a UN Habitat e financiado pela Ax:son Johnson Foundation, que vão subsidiar as reuniões preparatórias para a formulação da agenda mundial pós-2015 para o Desenvolvimento Sustentável, bem como a próxima reunião da Habitat III. O objetivo geral dessas conferências é defender na agenda mundial a importância do espaço público e do placemaking dentro do planejamento urbano.

Em meio a cerca de 300 pessoas de mais de 40 países dos cinco continentes, e ao lado de nomes como Fred Kent, fundador do PPS, e de David Sim, diretor criativo do Gehl Architects, a Sobreurbana apresentou em Buenos Aires sua experiência em Goiânia com a realização dos Jane’s Walks. A conferência reuniu um conteúdo muito rico quanto a produção acadêmica mas principalmente quanto a realizações de pessoas, organizações, empresas e governos que estão agindo pela ativação das ruas e outros espaços públicos com foco nas pessoas.

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Influenciados pela forte presença de brasileiros na conferência, foi decretada a criação do Conselho Brasileiro de Placemaking, que se reunirá pela primeira vez já na próxima segunda-feira dia  06/10/14 em São Paulo. Esperamos com este Conselho conseguir inserir na agenda política brasileira a necessidade de voltarmos o planejamento urbano para as reais demandas das comunidades, com um planejamento e um desenho voltados para as pessoas, que busque o protagonismo e o empoderamento da população, na busca de um ambiente urbano melhor para vivermos nesta e nas futuras gerações.

O que é um bom espaço público? O que o torna melhor do que outros? O que nos leva a querer ocupá-lo ou abandoná-lo?

Project for Public Spaces (PPS) é uma organização sem fins lucrativos que se dedica a ajudar as pessoas a criar e manter espaços públicos através de ações de educação, planejamento e design, em prol de um maior fortalecimento dos laços de comunidade.

Após terem analisado milhares de espaços públicos em todo mundo, identificaram quatro qualidades-chave comuns a todos os espaços considerados bem sucedidos: Acessos & Conexões; Conforto & Imagem; Usos & Atividades; e Sociabilidade.

Com base nessas características, desenvolveu-se um diagrama para auxiliar na avaliação de espaços públicos: essas qualidades são avaliadas a partir de um conjunto de critérios intuitivos e qualitativos (apresentados no círculo verde) e critérios quantitativos (apresentados no exterior do círculo).

 

Acessos & Conexões

Um bom espaço público integra-se com o bairro onde se encontra. É um espaço aberto à comunidade, acessível, conveniente.

Algumas questões:
É fácil entrar no local? Posso ir a pé sem o risco de ser atropelado? A entrada é por uma estrada isolada ou por uma rua com movimento? O local está preparado para receber pessoas com necessidades especiais? É possível chegar lá através de diferentes tipos de transporte – carro, bicicleta, ônibus… ? Posso atravessar o espaço para me dirigir a outro local?

 

Conforto & Imagem

O conforto pode ser avaliado pela beleza do local, mas também pela forma como é cuidado, se transmite uma sensação de segurança, se tem banheiros acessíveis, etc…

Algumas questões:
Qual a primeira impressão do local? Há lugares para sentar ou deitar? Esses lugares estão protegidos do sol ou da chuva? O local é limpo? É acolhedor? É propício para fotografar?

 

Usos & Atividades

As atividades desenvolvidas num local definem a razão porque as pessoas o frequentam. Se não houver nada para fazer, é pouco provável que as pessoas regressem.

Algumas questões:
O espaço normalmente está ocupado ou vazio? Que tipo de atividades são desenvolvidas? Com que frequência? É utilizado por homens, mulheres, crianças, jovens e adultos? É usado durante o dia ou durante a noite?

 

Sociabilidade

A sociabilidade do local é um fator essencial para o sentimento de pertença por parte do cidadão em relação a esse espaço. Quando se está com os amigos, se cumprimenta vizinhos ou conhecidos e se sente mais à vontade para interagir com estranhos, as pessoas tendem a desenvolver um maior sentimento de comunidade e a preocupar-se mais com o espaço que é de todos.

Algumas questões:
É um espaço onde combinaria encontrar-se com os seus amigos? Há mais pessoas que combinam encontrar-se nesse local? As pessoas sorriem? As pessoas fazem normalmente contato visual ou costumam desviar o olhar? Recolhem o lixo antes de sair? As faixas etárias e etnias que frequentam o local são representativas da comunidade local?