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Semana passada a Sobreurbana esteve presente no seminário e workshop ‘Tecnopolítica, Democracia e Urbanismo Táctico’, conduzido pelo grupo de pesquisa Indisciplinar, da UFMG, no âmbito do VAC9 – Verão Arte Contemporânea, em Belo Horizonte.

Dois dias de conversas muito interessantes sobre democracia e cidade, passando pelas rápidas transformações que os territórios urbanos vem sofrendo, o impacto das novas tecnologias nesse processo, o papel do urbanista, a corrupção da memória na era do urbanismo botox e a necessária reinvenção do comum.

Duas descobertas interessantíssimas: o trabalho dos professores Monique Sanches e Maurício Leonard na UFOP, que realizam urbanismo táctico na cidade de Ouro Preto dentro de uma disciplina na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo; e o trabalho do coletivo Micrópolis, um grupo de estudantes que convenceu seus professores a deixá-los fazerem o trabalho de conclusão de curso em grupo, num tradicional bairro de BH – o Calafate – realizando uma série de mapeamentos, micro intervenções e eventos buscando o envolvimento comunitário para testar ações de reconquista do espaço público.

Para amarrar tudo muitíssimo bem, a apresentação do italiano Domenico di Siena, o Urbano Humano que veio ao Brasil exclusivamente para o evento e para dividir conosco seu conhecimento e experiência na atuação com urbanismo open source. Considerando a necessidade de reinventarmos, apoiados na explosão de novas tecnologias, novas formas de interação e construção do urbano, Domenico explorou e defendeu conceitos muito interessantes dos quais destacamos alguns:

  • O cidadão enquanto prosumer – consumidor mas também produtor da cidade.
  • A dimensão glocal – utilizar a inteligência coletiva global de forma situada, para o tratamento de coisas muito concretas, pontuais, locais.
  • A ideia de rede ao invés de comunidade, visto que em rede há horizontalidade, sentido comum ao invés da construção de consensos, e a possibilidade de multi-pertença. Afinal não temos só uma identidade ou só um interesse…

Já buscando o entendimento prático sobre esses e outros conceitos, estivemos nos dois últimos dias do evento produzindo uma intervenção urbana e coletiva na Praça Carlos Marques, no Bairro Calafate, em contribuição ao trabalho iniciado pelo Micrópolis, e que também foi uma ótima experiência para todos nós. Lambes com imagens antigas de pessoas do bairro, lambes sobre a Operação Urbana Consorciada do qual o bairro está sendo alvo, brincadeiras para crianças e adultos, troca de histórias pessoais por livros usados, foram algumas das ações realizadas.

A ação em que a Sobreurbana esteve diretamente envolvida foi uma instalação no coreto da praça, local que sempre abrigou moradores de rua, personagens identificados pelos moradores como o maior ‘problema’ do local. Para questionar a forma como as cidades tratam os moradores de rua, desenhamos a planta de uma casa no piso do coreto e escrevemos um versinho singelo em sua escadaria, para reforçar que o caráter público daquele lugar, o torna tanto meu, quanto seu, quanto de um morador de rua.

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Urbanismo táctico, emergente, open source… experiências que vamos compartilhando para construir a inteligência coletiva global que silenciosamente já está transformando o mundo.

Você acredita nisso?

 

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Semana que vem, dia 24 de Outubro, Goiânia completa 81 anos de ocupação do cerrado. Para comemorar, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás convidou vários criativos, coletivos e descolados para comporem uma agenda de atividades que convidem à ocupação da capital. De 11 de Outubro a 2 de Novembro teremos várias atividades gratuitas, lúdicas, cívicas e deliciosas celebrando a cidade que somos e refletindo sobre a cidade que estamos construindo dia-a-dia.

A Sobreurbana ocupa Goiânia em duas ações:

Uma delas é a Escola de Parklet com o Instituto Mobilidade Verde-IMV, num curso de 17 a 19/10 no espaço mais criativo da cidade, o Coletivo Centopeia.

Mas… Parklet é o que mesmo? É um prolongamento da calçada, como uma mini praça sobre uma ou duas vagas de estacionamento. Uma proposta lançada em São Francisco/ EUA, para discutir sobre uma redistribuição do espaço urbano entre carros e pessoas. Ano passado o IMV fez o primeiro parklet em São Paulo e neste ano já conseguiu que a prefeitura regulamentasse a execução desse mobiliário urbano na cidade, através do Decreto 55.045/2014. Esperamos com essa ação, exercitar nossa imaginação sobre a qualidade dos espaços públicos de Goiânia e abrir o caminho para a construção de parklets aqui no cerrado. Quem quiser se inscrever, envie um e-mail para info@sobreurbana.com informando nome, telefone, idade e profissão/atividade. Mas corra porque são só 24 vagas!

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A outra é uma Prototipagem de Intervenção Urbana na Praça Universitária, que a Sobreurbana vai desenvolver no decorrer de todos esses dias. Prototipagem? Sim, e significa exatamente o que o termo quer dizer: experimentação. É uma nova tendência na feitura de espaços públicos, segundo o preconizado pelo placemaking e o urbanismo táctico, na tríade ‘mais leve, mais rápido e mais barato’.  A ideia é experimentar soluções, sendo o experimento já uma proposta de uso imediato, que ao longo do tempo vai sendo legitimada ou não pelas pessoas, para uma posterior intervenção definitiva, se for o caso. Quer um exemplo? A Sobreurbana participou no mês passado da 1º Oficina do Cidades para Pessoas onde prototipamos uma intervenção na Passarela Rebouças, em São Paulo, que resultou no projeto Passanela, lançado no Catarse para financiamento coletivo.

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Junto à entrada do Palácio da Cultura, na Praça Universitária da capital goiana (parte de cima da praça), temos instalados desde abril dois painéis do projeto Before I Die, os quais substituiremos por uma nova brincadeira que também buscará interação com os transeuntes através da escrita e da leitura. Acompanhe nosso trabalho lá no local ou aqui em nossa página.

Participe e ocupe sua cidade, todos os dias, todas as ruas. Seja a sua cidade!

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De 08 a 13 de setembro deste ano foi realizada em São Paulo a 1ª Oficina do Cidades para Pessoas. Para quem ainda não conhece ainda, o Cidades para Pessoas é um projeto jornalístico que reúne em um banco de dados, experiências e iniciativas coletadas em cidades da Europa e da América do Norte voltadas para a humanização das cidades. Isso mesmo: como tornar nossas cidades mais atraentes ao uso e ao convívio entre pessoas? Essa pergunta levou a jornalista Natália Garcia a duas viagens financiadas coletivamente (aqui no Catarse), a observar as cidades consideradas bem-sucedidas nesta matéria, reunir seus bons exemplos e espalhar essas ideias aqui no Brasil.

Depois de alguns anos viajando todo o Brasil para mostrar o que ela viu lá fora e chamar a nossa atenção para o potencial de nossas cidades, a Natália propôs, dentro do Festival CoCidade, a 1ª Oficina do Cidades para Pessoas. A oficina buscou, numa escala local, prototipar ideias que melhorassem a qualidade e o uso de algum lugar público da cidade de São Paulo, onde ela aconteceu. Para as atividades, foi selecionado um grupo de 20 pessoas, das mais diversas áreas de atuação, do Brasil e do mundo, do qual a Sobreurbana fez parte.

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Durante uma semana, nós exploramos a cidade para localizar problemas e potenciais urbanos e então prototipar uma ideia e formatar um projeto de financiamento coletivo para viabilizá-la. Ufa! Foram dias muito intensos mas muito ricos. Nosso local escolhido: a passarela para pedestres sobre a Av. Rebouças que dá acesso ao Incor. Nossa missão: transformar aquele espaço em um lugar.

Com metas diárias, o grupo da oficina tentou primeiro compreender a dinâmica do espaço: passamos umas boas horas no local, conversando com as pessoas, desenhando a passarela em todos os seus ângulos e detalhes, observando os fluxos de deslocamento das pessoas para compreender porque elas a evitavam, e buscando confirmar com os transeuntes as nossas próprias percepções sobre os problemas e potencialidades do espaço.

A partir daí, prototipamos com um mínimo de recursos financeiros e tempo, soluções para fornecer sombra, lugar para sentar, contato com o verde, oportunidades para contemplação da paisagem e expressão de emoções, além de sugestões de deslocamento, incentivando as pessoas a usarem a passarela ao invés de se lançarem por baixo dela no meio do alto tráfego de veículos, e a usarem todos os seus dispositivos como as escadas e os elevadores.

O resultado está registrado no projeto Passanela, lançado no Catarse durante a feira do Festival CoCidade, para financiamento coletivo da intervenção que já prototipamos e testamos para enfim ativarmos aquela passarela, oferecendo às pessoas uma melhor experiência naquele espaço urbano. Com o objetivo de inspirar e apoiar a ativação de todas as passarelas do país, uma das recompensas oferecidas a quem apoiar o projeto no Catarse, é um guia com o passo-a-passo que percorremos na oficina e uma consultoria com um dos participantes.

Se você acredita no poder que nós pessoas temos de transformar nossas cidades a nosso favor, visite nosso projeto, apoie, leve essa ideia para seus amigos e para a passarela mais próxima de você. Nossa campanha fica no ar no Catarse até o dia 18/10/14.

Segundo o PPS – Project for Public Spaces, principal organização para a difusão desse conceito, Placemaking é, como o nome sugere, a criação de ‘lugares’. A ideia é, a partir dos desejos e da criatividade da própria comunidade, transformar um espaço em um lugar e fazer dele o coração da comunidade.

O PPS foi criado a partir do trabalho coordenado pelo urbanista William Whyte que estudou na década de 80 o comportamento das pessoas pelos espaços públicos, especialmente em cidades norte americanas. A partir daí foi desenvolvido todo um arcabouço técnico e teórico para a criação de espaços públicos voltados para e a partir das necessidades humanas. Nós já falamos dos instrumentos do PPS aqui. Atualmente o PPS trabalha em projetos e consultorias em cidades do mundo inteiro, inclusive em Brasília, estigma do planejamento urbano de prancheta.

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No começo de setembro passado, a Sobreurbana esteve na Conferência Internacional Future of Places – Streets as Public Spaces and Drivers of Urban Prosperity, que aconteceu em Buenos Aires. Esta foi a segunda de uma série de três conferências propostas pelo PPS em parceria com a UN Habitat e financiado pela Ax:son Johnson Foundation, que vão subsidiar as reuniões preparatórias para a formulação da agenda mundial pós-2015 para o Desenvolvimento Sustentável, bem como a próxima reunião da Habitat III. O objetivo geral dessas conferências é defender na agenda mundial a importância do espaço público e do placemaking dentro do planejamento urbano.

Em meio a cerca de 300 pessoas de mais de 40 países dos cinco continentes, e ao lado de nomes como Fred Kent, fundador do PPS, e de David Sim, diretor criativo do Gehl Architects, a Sobreurbana apresentou em Buenos Aires sua experiência em Goiânia com a realização dos Jane’s Walks. A conferência reuniu um conteúdo muito rico quanto a produção acadêmica mas principalmente quanto a realizações de pessoas, organizações, empresas e governos que estão agindo pela ativação das ruas e outros espaços públicos com foco nas pessoas.

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Influenciados pela forte presença de brasileiros na conferência, foi decretada a criação do Conselho Brasileiro de Placemaking, que se reunirá pela primeira vez já na próxima segunda-feira dia  06/10/14 em São Paulo. Esperamos com este Conselho conseguir inserir na agenda política brasileira a necessidade de voltarmos o planejamento urbano para as reais demandas das comunidades, com um planejamento e um desenho voltados para as pessoas, que busque o protagonismo e o empoderamento da população, na busca de um ambiente urbano melhor para vivermos nesta e nas futuras gerações.