Dois grupos brasileiros cheios de ótimas intenções:

 

O Grupo Nômade, sediado em Porto Alegre, se propõe a ativar ideias através da colaboração e engajamento. São um think tank, subdividido em dois núcleos: o Estúdio Nômade, que desenvolve projetos de engajamento para empresas e governos, e a Nômade IND, um braço independente do grupo para o desenvolvimento de projetos autorais. Como instrumentos, o grupo utiliza arte, ciência e tecnologia para investigar novas formas de relacionamento entre as organizações e a sociedade.

Destaco dois de seus projetos independentes: o TransvençãoLAB, sediado no Nós Co-working e desenvolvido para criar projetos inovadores para a cidade, através da colaboração e da web. Com pouco tempo de existência já ganhou um prêmio da também recente Secretaria Nacional da Economia Criativa, por sua metodologia de aprendizagem em rede. E o Estante Pública, pouco mais antigo e famoso, inaugurado nas ruas da sortuda Porto Alegre em julho de 2008. O projeto, que investiga a gestão coletiva e popular de espaços urbanos, instalou desde então uma série de estantes com livros em pontos de ônibus em vários bairros da cidade. Com estruturas simples e sem nenhum tipo de controle de órgãos públicos ou privados, as estantes ocupam o inutilizado espaço para publicidade dos pontos de ônibus e permitem a livre troca de livros entre as pessoas. Poético!

 

Processo participativo do grupo USINA

Outro grupo muito bem intencionado é o USINA – Centro de Trabalhos para o Ambiente Habitado. São arquitetos, artistas, engenheiros, cientistas sociais e outros profissionais de diversas áreas, há mais de duas décadas propondo experiências territoriais num contexto de luta social e reforma urbana, especialmente em São Paulo. Construíram uma bela história ao lado de movimentos sociais, oferecendo-lhes um apoio técnico fortemente engajado, para a produção de empreendimentos habitacionais e equipamentos públicos, em áreas urbanas e rurais, além de planejamento urbano. Em verdadeiros canteiros de obras experimentais, o grupo faz uma arquitetura autogestionada, onde tudo – projeto, obra, técnica, estética – é discutido com os futuros moradores. São exitosas experiências de processos participativos na construção da cidade, somente possíveis com o envolvimento de profissionais interessados e dispostos em subverterem a ordem. Com muita maestria.