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As cidades podem continuar a crescer de forma caótica, desrespeitando as necessidades das pessoas e ignorando as consequências ambientais, ou podem adotar um processo de desenvolvimento sustentável que permita fortalecer comunidades, melhorar a qualidade de vida e construir vizinhanças mais prósperas e seguras.

Foi esta reflexão que levou à criação do fórum Future of Places, numa parceria entre a UN Habitat e o PPS – Project for Public Spaces, que foi materializada em 3 conferências internacionais (2013, 2014, 2015) e um conjunto de seminários, exposições e publicações.

O objetivo deste fórum é de reunir um conjunto de estudos e boas práticas para apresentar no Habitat III – a terceira Conferência das Nações Unidas sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável que irá acontecer em Quito em Outubro de 2016 – e reforçar a importância dos espaços públicos e do placemaking no planejamento urbano.

Bons espaços públicos são essenciais para se ter uma cidade próspera. Espaços bem desenhados e planejados contribuem para a economia local, para a saúde, segurança, ambiente, integração e conectividade.

Bons espaços públicos promovem a economia

Bons espaços públicos podem ter um impacto significativo na vida econômica de grandes e pequenos centros urbanos e fazem parte de qualquer estratégia bem sucedida de recuperação de um bairro ou de uma cidade. A qualidade das ruas, dos jardins, das praças, dos parques e de outros espaços públicos são uma importante ferramenta de marketing para atrair investimento e valorizar a terra.

Bons espaços públicos promovem a coesão social

Bons espaços públicos potenciam a interação social e cultural e promovem uma sensação de pertença pela comunidade. Ao serem abertos para a todos os grupos socioeconômicos, independentemente da etnia, idade e gênero, os espaços públicos promovem a democracia, a inclusão social e o combate à discriminação.

Bons espaços públicos promovem a segurança

Bons espaços públicos promovem um uso constante, por diferentes públicos, ao longo do dia. Ruas e jardins movimentados aumentam a sensação de segurança e atraem mais pessoas. Pelo contrário, espaços ociosos e abandonados atraem a marginalidade.

Bons espaços públicos promovem a saúde pública

Bons espaços públicos contribuem para a saúde física e mental. Estes espaços proporcionam boas condições para caminhadas ou exercício físico, para brincar, descansar ou apreciar o lugar. No caso dos espaços verdes, é ainda promovido o contato com a natureza, com todos os seus benefícios.

Bons espaços públicos promovem a mobilidade

Bons espaços públicos podem contribuir para reduzir congestionamentos, tempo de viagem e acidentes, se forem planejados para diferentes modos de transporte e priorizarem rotas caminháveis e cicláveis. Os espaços públicos não são apenas um local para onde se vai, mas também um local por onde se transita. É importante que tenham em conta todos os modos de transporte e ofereça às pessoas a opção de escolha.

Bons espaços públicos melhoram o ambiente

Espaços públicos podem contribuir para a redução de emissões de carbono ao promover modos de transporte a pé e não motorizados, ou ao encorajar o uso de transportes coletivos. Espaços verdes contribuem ainda para a redução da temperatura, purificação do ar e das águas da chuva, preservação de biodiversidade e agindo como sistema de drenagem das águas pluviais.

Foi o ato de caminhar que levou a humanidade à criação da arquitetura e, consequentemente, das cidades. A necessidade de alimentação e de construção simbólica do território para a garantia da sobrevivência levou os caçadores e os pastores do paleolítico a situarem no espaço natural o primeiro objeto marco da antropização – o menir – a partir do qual se desenvolveu toda a arquitetura.

Até hoje, as escolhas que as pessoas fazem das ruas, avenidas e passarelas que percorrem, influenciam diretamente na forma como elas se relacionam com a cidade e com as outras pessoas.

No entanto, a priorização dos veículos motorizados em detrimento aos modos saudáveis de transporte tem consumido o espaço urbano com infraestruturas dedicadas aos fluxos de automóveis, em detrimento ao pedestre e ao ato de caminhar, ainda que a maior parte dos deslocamentos pelas cidades continue sendo feita a pé.

As infraestruturas dedicadas aos pedestres, com menor valor na construção capitalista do espaço urbano, geralmente oferecem às pessoas experiências negativas e passam a ser evitadas, revelando um círculo vicioso: as pessoas evitam andar pelas ruas e as cidades seguem sendo construídas só para os carros.

Com o objetivo de familiarizar as pessoas com as ruas das cidades, a comunidade internacional Jane’s Walk promove passeios comunitários a pé desde 2008, quando foi fundada na cidade de Toronto/CA. A ideia é aproximar as pessoas dos espaços públicos da cidade, incentivando-as a lutarem por melhores condições, fortalecendo assim a vida comunitária. Tudo isso através do ato de caminhar.

A Sobreurbana, que desde sua inauguração em dezembro de 2013 tem promovido desses passeios na cidade de Goiânia, realizou em 21 de setembro de 2014, no âmbito da Semana da Mobilidade, o Jane’s Walk Mais Vida Menos Motor, com o objetivo de discutir sobre mobilidade urbana na perspectiva do pedestre. A atividade aconteceu através de uma parceria com a arquiteta Ana Paula Borba e o ambientalista e cicloativista Uirá Lourenço que levaram pela primeira vez os Jane’s Walks à capital federal. No mesmo dia realizamos um passeio em Brasília e outro em Goiânia, promovendo a mesma discussão e ainda colaborando com a Campanha Sinalize do Portal Mobilize Brasil, através de um questionário sobre a qualidade da sinalização para o pedestre nos trechos percorridos. Dessa avaliação surgiu uma média atribuída a cada trecho de cada cidade, inserida na plataforma on line da campanha, visível neste link. Para as duas cidades a avaliação foi muito negativa.

Goiânia e Brasília são duas cidades planejadas e construídas no sertão do país na primeira metade do século passado, ambas com a função de sediar o poder político – a primeira do estado de Goiás e a segunda do governo federal. As duas cidades foram construídas através de grandes projetos de planejamento urbano, que na época supervalorizavam o advento do automóvel. Como resultado, apresentam malhas viárias muito diferentes uma da outra mas ambas sugerem a segregação, longas distâncias e a alta velocidade, pesadelos diários para pedestres e ciclistas.

Em Goiânia o passeio teve início na Praça Cívica e percorreu importantes avenidas, ruas e alguns becos do Setor Central, buscando observar as diferentes infraestruturas da mobilidade urbana lá instalada: ruas dedicadas ao incentivo da velocidade dos carros, corredores exclusivos do transporte coletivo, sua única rua pedonal, becos e ciclovia. Quinze pessoas compareceram, num domingo atípico devido à realização de várias outras manifestações sociais na cidade, como a Caminhada pelo Clima e a Parada Gay. A discussão ao longo do passeio foi sobre como nós pedestres nos colocamos no meio disso tudo, uma reflexão que passa pela questão da apropriação dos espaços públicos da cidade.

Ao final do percurso os participantes responderam a um questionário com perguntas sobre a experiência do passeio e os espaços visitados. Sobre alguma surpresa que tivessem tido durante o percurso, foi quase unânime a descoberta dos becos do centro da cidade. Desenhados no projeto inicial para serem ruas de serviço (como a coleta de lixo, carga e descarga…) os becos permanecem na malha da cidade como espaços residuais pouco visíveis, e vem sendo tomados por estacionamentos particulares. Questionados sobre a satisfação em relação à situação atual da Praça Cívica, as respostas sempre apontaram para a necessidade de aumentar a arborização, retirar a pavimentação asfáltica e o uso como estacionamento, devolvendo-a aos pedestres. Vale dizer que hoje, cinco meses depois do passeio, a Praça Cívica passa por uma reforma polêmica e muito pouco discutida na cidade, que interfere exatamente nos pontos levantados pelos participantes. Sobre a experiência do Jane’s Walk, as respostas revelaram o prazer em redescobrir a cidade, compartilhando dos vários pontos de vistas e experiências dos participantes, o que nos faz concluir que cumprimos nosso objetivo com o passeio.

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Para o caso de Brasília, o percurso teve início no estacionamento de uma entrequadra (208/408 norte) que fica ao lado de um posto de saúde e contou com 31 participantes, dentre eles, quatro crianças e uma cadela (que não entrou na contagem).

Surpreendente notar que durante o percurso havia o nítido desconhecimento dos espaços pelos participantes, que na maioria, moravam na redondeza do trajeto escolhido, mas só o conhecia por meio dos deslocamentos diários dentro de seus veículos.

Alguns dos pontos debatidos durante o percurso e que são cruciais para o impedimento de uma mobilidade urbana fluida foram: (a) grandes áreas vazias e sem infraestrutura pedonal, (b) presença de vias expressas dividindo a cidade e sendo uma barreira física aos deslocamentos não motorizados, (c) barreiras ao nível do pé (escadas, rampas com alta inclinação, espaços estreitos, etc.), (d) uso compartilhado da ciclovia, provocando certo conflito entre pedestres e ciclistas,  principalmente para pessoas com mobilidade reduzida, etc. Com isso, ratifica-se (mais uma vez) que o desenho da cidade provoca um distanciamento cada vez maior entre os espaços e os seus usuários no que tange a escala humana, fomentando, portanto, o uso desmedido dos veículos motorizados.

Assim como em Goiânia, realizou-se também a análise da sinalização pedonal durante o percurso – considerada em média pelos participantes como muito ruim –, além do preenchimento do mesmo questionário, em que o primeiro item destinava-se a completar a frase em relação ao Eixão: “Se essa rua, se essa rua fosse minha, eu mandava eu mandava…”, interessante notar como a grande maioria, sendo motoristas no dia a dia, mas ali por algumas horas “estavam” pedestres e sentiram a cidade na escala humana e não na motorizada, se deram conta de que aquele poderia ser sim um local de contemplação, com mais arborização, “mais vida e menos motor”.

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Texto escrito com a colaboração de Ana Paula Borba e Uirá Lourenço.

Semana passada a Sobreurbana esteve presente no seminário e workshop ‘Tecnopolítica, Democracia e Urbanismo Táctico’, conduzido pelo grupo de pesquisa Indisciplinar, da UFMG, no âmbito do VAC9 – Verão Arte Contemporânea, em Belo Horizonte.

Dois dias de conversas muito interessantes sobre democracia e cidade, passando pelas rápidas transformações que os territórios urbanos vem sofrendo, o impacto das novas tecnologias nesse processo, o papel do urbanista, a corrupção da memória na era do urbanismo botox e a necessária reinvenção do comum.

Duas descobertas interessantíssimas: o trabalho dos professores Monique Sanches e Maurício Leonard na UFOP, que realizam urbanismo táctico na cidade de Ouro Preto dentro de uma disciplina na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo; e o trabalho do coletivo Micrópolis, um grupo de estudantes que convenceu seus professores a deixá-los fazerem o trabalho de conclusão de curso em grupo, num tradicional bairro de BH – o Calafate – realizando uma série de mapeamentos, micro intervenções e eventos buscando o envolvimento comunitário para testar ações de reconquista do espaço público.

Para amarrar tudo muitíssimo bem, a apresentação do italiano Domenico di Siena, o Urbano Humano que veio ao Brasil exclusivamente para o evento e para dividir conosco seu conhecimento e experiência na atuação com urbanismo open source. Considerando a necessidade de reinventarmos, apoiados na explosão de novas tecnologias, novas formas de interação e construção do urbano, Domenico explorou e defendeu conceitos muito interessantes dos quais destacamos alguns:

  • O cidadão enquanto prosumer – consumidor mas também produtor da cidade.
  • A dimensão glocal – utilizar a inteligência coletiva global de forma situada, para o tratamento de coisas muito concretas, pontuais, locais.
  • A ideia de rede ao invés de comunidade, visto que em rede há horizontalidade, sentido comum ao invés da construção de consensos, e a possibilidade de multi-pertença. Afinal não temos só uma identidade ou só um interesse…

Já buscando o entendimento prático sobre esses e outros conceitos, estivemos nos dois últimos dias do evento produzindo uma intervenção urbana e coletiva na Praça Carlos Marques, no Bairro Calafate, em contribuição ao trabalho iniciado pelo Micrópolis, e que também foi uma ótima experiência para todos nós. Lambes com imagens antigas de pessoas do bairro, lambes sobre a Operação Urbana Consorciada do qual o bairro está sendo alvo, brincadeiras para crianças e adultos, troca de histórias pessoais por livros usados, foram algumas das ações realizadas.

A ação em que a Sobreurbana esteve diretamente envolvida foi uma instalação no coreto da praça, local que sempre abrigou moradores de rua, personagens identificados pelos moradores como o maior ‘problema’ do local. Para questionar a forma como as cidades tratam os moradores de rua, desenhamos a planta de uma casa no piso do coreto e escrevemos um versinho singelo em sua escadaria, para reforçar que o caráter público daquele lugar, o torna tanto meu, quanto seu, quanto de um morador de rua.

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Urbanismo táctico, emergente, open source… experiências que vamos compartilhando para construir a inteligência coletiva global que silenciosamente já está transformando o mundo.

Você acredita nisso?

 

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Semana que vem, dia 24 de Outubro, Goiânia completa 81 anos de ocupação do cerrado. Para comemorar, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás convidou vários criativos, coletivos e descolados para comporem uma agenda de atividades que convidem à ocupação da capital. De 11 de Outubro a 2 de Novembro teremos várias atividades gratuitas, lúdicas, cívicas e deliciosas celebrando a cidade que somos e refletindo sobre a cidade que estamos construindo dia-a-dia.

A Sobreurbana ocupa Goiânia em duas ações:

Uma delas é a Escola de Parklet com o Instituto Mobilidade Verde-IMV, num curso de 17 a 19/10 no espaço mais criativo da cidade, o Coletivo Centopeia.

Mas… Parklet é o que mesmo? É um prolongamento da calçada, como uma mini praça sobre uma ou duas vagas de estacionamento. Uma proposta lançada em São Francisco/ EUA, para discutir sobre uma redistribuição do espaço urbano entre carros e pessoas. Ano passado o IMV fez o primeiro parklet em São Paulo e neste ano já conseguiu que a prefeitura regulamentasse a execução desse mobiliário urbano na cidade, através do Decreto 55.045/2014. Esperamos com essa ação, exercitar nossa imaginação sobre a qualidade dos espaços públicos de Goiânia e abrir o caminho para a construção de parklets aqui no cerrado. Quem quiser se inscrever, envie um e-mail para info@sobreurbana.com informando nome, telefone, idade e profissão/atividade. Mas corra porque são só 24 vagas!

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A outra é uma Prototipagem de Intervenção Urbana na Praça Universitária, que a Sobreurbana vai desenvolver no decorrer de todos esses dias. Prototipagem? Sim, e significa exatamente o que o termo quer dizer: experimentação. É uma nova tendência na feitura de espaços públicos, segundo o preconizado pelo placemaking e o urbanismo táctico, na tríade ‘mais leve, mais rápido e mais barato’.  A ideia é experimentar soluções, sendo o experimento já uma proposta de uso imediato, que ao longo do tempo vai sendo legitimada ou não pelas pessoas, para uma posterior intervenção definitiva, se for o caso. Quer um exemplo? A Sobreurbana participou no mês passado da 1º Oficina do Cidades para Pessoas onde prototipamos uma intervenção na Passarela Rebouças, em São Paulo, que resultou no projeto Passanela, lançado no Catarse para financiamento coletivo.

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Junto à entrada do Palácio da Cultura, na Praça Universitária da capital goiana (parte de cima da praça), temos instalados desde abril dois painéis do projeto Before I Die, os quais substituiremos por uma nova brincadeira que também buscará interação com os transeuntes através da escrita e da leitura. Acompanhe nosso trabalho lá no local ou aqui em nossa página.

Participe e ocupe sua cidade, todos os dias, todas as ruas. Seja a sua cidade!

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De 08 a 13 de setembro deste ano foi realizada em São Paulo a 1ª Oficina do Cidades para Pessoas. Para quem ainda não conhece ainda, o Cidades para Pessoas é um projeto jornalístico que reúne em um banco de dados, experiências e iniciativas coletadas em cidades da Europa e da América do Norte voltadas para a humanização das cidades. Isso mesmo: como tornar nossas cidades mais atraentes ao uso e ao convívio entre pessoas? Essa pergunta levou a jornalista Natália Garcia a duas viagens financiadas coletivamente (aqui no Catarse), a observar as cidades consideradas bem-sucedidas nesta matéria, reunir seus bons exemplos e espalhar essas ideias aqui no Brasil.

Depois de alguns anos viajando todo o Brasil para mostrar o que ela viu lá fora e chamar a nossa atenção para o potencial de nossas cidades, a Natália propôs, dentro do Festival CoCidade, a 1ª Oficina do Cidades para Pessoas. A oficina buscou, numa escala local, prototipar ideias que melhorassem a qualidade e o uso de algum lugar público da cidade de São Paulo, onde ela aconteceu. Para as atividades, foi selecionado um grupo de 20 pessoas, das mais diversas áreas de atuação, do Brasil e do mundo, do qual a Sobreurbana fez parte.

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Durante uma semana, nós exploramos a cidade para localizar problemas e potenciais urbanos e então prototipar uma ideia e formatar um projeto de financiamento coletivo para viabilizá-la. Ufa! Foram dias muito intensos mas muito ricos. Nosso local escolhido: a passarela para pedestres sobre a Av. Rebouças que dá acesso ao Incor. Nossa missão: transformar aquele espaço em um lugar.

Com metas diárias, o grupo da oficina tentou primeiro compreender a dinâmica do espaço: passamos umas boas horas no local, conversando com as pessoas, desenhando a passarela em todos os seus ângulos e detalhes, observando os fluxos de deslocamento das pessoas para compreender porque elas a evitavam, e buscando confirmar com os transeuntes as nossas próprias percepções sobre os problemas e potencialidades do espaço.

A partir daí, prototipamos com um mínimo de recursos financeiros e tempo, soluções para fornecer sombra, lugar para sentar, contato com o verde, oportunidades para contemplação da paisagem e expressão de emoções, além de sugestões de deslocamento, incentivando as pessoas a usarem a passarela ao invés de se lançarem por baixo dela no meio do alto tráfego de veículos, e a usarem todos os seus dispositivos como as escadas e os elevadores.

O resultado está registrado no projeto Passanela, lançado no Catarse durante a feira do Festival CoCidade, para financiamento coletivo da intervenção que já prototipamos e testamos para enfim ativarmos aquela passarela, oferecendo às pessoas uma melhor experiência naquele espaço urbano. Com o objetivo de inspirar e apoiar a ativação de todas as passarelas do país, uma das recompensas oferecidas a quem apoiar o projeto no Catarse, é um guia com o passo-a-passo que percorremos na oficina e uma consultoria com um dos participantes.

Se você acredita no poder que nós pessoas temos de transformar nossas cidades a nosso favor, visite nosso projeto, apoie, leve essa ideia para seus amigos e para a passarela mais próxima de você. Nossa campanha fica no ar no Catarse até o dia 18/10/14.

Ok, você sabe que Goiânia é uma jovem cidade, planejada no século passado para ser a capital do estado, com arquitetura art déco e uma boa quantidade de parques urbanos que emolduram a sua vida ainda pacata. Mas… você sabia, por exemplo, que é possível caminhar por quase todo o Setor Sul atravessando somente suas áreas verdes, generosas em sombras e arte urbana da mais alta qualidade? Sabia que algumas das áreas mais afetadas com as fortes chuvas são leitos de córregos enterrados sob ruas e edifícios emblemáticos da cidade? Sabia que o tradicional Setor Pedro Ludovico foi o último bairro construído pelo estado, quando da construção de Goiânia e que contém o maior parque urbano da cidade, o Jardim Botânico? E sabia que esse tesouro cultural e ambiental está ameaçado pela mais recente investida da especulação imobiliária, que pretende, com o aval da prefeitura, acinzentar a ainda boa qualidade de vida do bairro com a construção de altas torres e entupindo suas ruas de carros? Venha descobrir tudo isso e muito mais nos três passeios que estamos promovendo em Goiânia. São três excelentes oportunidades para o goianiense conhecer melhor sua cidade e entender como, individual e coletivamente, pode contribuir para melhorá-la. Junte-se a nós e venha se perder e se encontrar nas ruas de Goiânia! Programação Festival Jane’s Walk Goiânia 2014 3 de Maio, manhã: junto com o Design da Cidade iremos em busca do Córrego dos Buritis entre os setores Sul, Oeste e Marista. 3 de Maio, tarde: junto com o murAU, iremos discutir o adensamento, verticalização e preservação ambiental no Setor Pedro Ludovico. 4 de Maio, tarde: junto com a Hábil Produção, iremos percorrer os espaços verdes do Setor Sul e discutir sobre arte e ocupação urbana no âmbito de seu projeto MUdA. Observar e viver a cidade a pé, devagar, apreendendo o seus detalhes, é fundamental para entendermos os porquês de tantos problemas que sofremos em nosso dia-a-dia e cuja solução está em nossas mãos – que faltam se unir – ou em nossos olhos – que estão fechados para o que realmente importa – ou em nossa vozes – acostumadas a se calarem diante das verdades impostas para um coletivo que nunca é ouvido durante a construção privada e autoritária da cidade. Jane’s Walk Em 2007 foi criada em Toronto uma organização chamada Jane’s Walk com a proposta de contribuir para a construção de comunidades mais fortes e engajadas e inspirada nas idéias de Jane Jacobs. Jacobs foi uma ativista de grande influência sobre o pensamento urbanístico atual, que na década de 1960 conseguiu, junto com seus vizinhos, evitar a destruição de bairros tradicionais da cidade de Nova Iorque, onde vivia. Ela conseguiu isso incutindo nas pessoas a perspectiva de que as cidades tem que ser feitas para elas, considerando suas necessidades cotidianas e a segurança emocional advinda da rica e pulsante vida pública que se desenrola pelas calçadas. As calçadas precisam ter vida! E as ruas precisam ter olhos voltados para elas. Para isso, as pessoas precisam se apropriar dos espaços públicos da cidade. Assim, a proposta do Jane’s Walk é promover passeios comunitários liderados por voluntários que desejam revelar os bairros onde vivem, redescobrindo suas cidades e aproximando as pessoas entre elas e em torno da vida urbana, fundamental para a qualidade de vida das cidades. Anualmente, a organização promove o Jane’s Walk Festival, sempre no início do mês de maio, quando seria o aniversário de Jacobs, falecida em 2006. Na mesma data, milhares de pessoas ocupam as ruas de centenas de cidades pelo mundo para celebrarem a vida em comunidade, discutirem sobre os problemas e riquezas de suas cidades, e se redescobrirem nelas. Esta será a segunda vez que a Sobreurbana organiza um Jane’s Walk em Goiânia. O primeiro passeio aconteceu em dezembro do ano passado, na Av. Cora Coralina, Setor Sul, onde se discutiu a qualidade daquele ambiente urbano. _JMF5045

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Before I Die é um projeto de arte global que nos convida a refletir sobre nossas vidas e a compartilhar nossas aspirações pessoais num espaço público. O projeto foi iniciado por Candy Chang nas paredes de uma casa abandonada em New Orleans. Após a morte de um ente querido, a artista Candy Chang passou um longo período de luto e depressão profunda. A ideia da morte alterou-lhe por completo suas perspectivas do que realmente importava e desejou criar um mural que a lembrasse disso todos os dias, e queria também saber o que seus vizinhos e amigos desejavam da vida. Obteve permissão para pintar o exterior de uma casa abandonada no seu bairro e cobriu-a com tinta de quadro negro. De seguida escreveu repetidamente “Antes de morrer eu quero _______.” e deixou giz para quem quisesse completar a frase. No dia seguinte a parede já se encontrava totalmente preenchida. Publicou algumas fotos nas redes sociais e de imediato recebeu centenas de pedidos de pessoas que queriam reproduzir o projeto nas suas comunidades. Desde então, Before I die já foi apresentado em 30 idiomas e em mais de 65 países, incluindo várias cidades do Brasil.

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A ideia de trazer este projeto pela primeira vez para Goiânia surgiu após um convite do jovem artista Marcelo Dakí para fazermos uma proposta de ocupação artística que ampliasse as vivências dos visitantes da sua exposição Legião. Com a permissão do Museu de Arte de Goiânia, afixamos dois painéis gigantes em duas paredes pichadas junto à entrada principal do Palácio da Cultura. O resultado foi surpreendente e imediato, apresentando uma enorme adesão por parte de muita gente, independentemente da idade ou classe social. Sem qualquer tipo de censura, sem depredação, estas paredes que são constantemente fotografadas e limpas assim que ficam preenchidas, ecoam toda uma multiplicidade de sentimentos, desejos, ódios e reflexões que caracterizam os frequentadores daquele espaço público.

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Quando os cidadãos se mobilizam, fazem a diferença. Foi o que aconteceu com o túnel pedonal de Alcântara, em Lisboa: uma passagem subterrânea que dá acesso à estação ferroviária de Alcântara-Mar e à zona das docas, que era suja, isolada e perigosa, muitas vezes evitada pelos pedestres… e é agora atração turística. A Associação Portuguesa de Arte Urbana é quem se encontra por trás desta intervenção que transformou este não-local numa vitrine das paisagens, monumentos e edifícios emblemáticos da cidade. “É quase uma vista de 360 graus sobre Lisboa”, diz o representante da associação.

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Com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa e patrocínios de cerca de 50 mil reais em tintas e spray, a Associação Portuguesa de Arte Urbana contou ainda com a ajuda de mais de 400 voluntários para cobrir as paredes do túnel, incluindo moradores e trabalhadores da zona, e mesmo turistas do Canadá, Alemanha, França e Brasil. A autarquia, por seu lado, renovou a iluminação no local, resolveu os problemas ao nível do escoamento de águas pluviais, para travar as infiltrações e prepara o próximo passo, que inclui a melhoria das acessibilidades e instalação de um café com palco para espetáculos.

Confira aqui a reportagem televisiva.

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Passeio Livre é um projeto-manifesto em favor da qualificação dos passeios públicos de Goiânia. As calçadas são o palco principal onde decorrem as interações sociais da cidade, no entanto o pedestre é constantemente forçado a usar a estrada devido à existência de obstáculos, buracos, estacionamento selvagem, entre muitos outros abusos, num espaço que deveria ser só seu.

O website do Passeio Livre é um mapa colaborativo onde denunciamos essas situações, que organizamos, para já, em quatro categorias: obstáculos, mau comportamento, buracos e sinalização deficiente.

Já recebemos várias denúncias e queremos continuar a compartilhá-las no nosso mapa. Colabore connosco enviando a(s) sua(s) foto(s), comentário e endereço do local denunciado para info@sobreurbana.com.

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Você já reparou na precariedade dos passeios públicos das ruas por onde anda? Se você circula à pé, não só já reparou como já deve ter sido vítima de alguma situação desfavorável, como calçadas cheias de buraco ou desníveis quase intransponíveis, pra citar só dois exemplos bem comuns.  Além do péssimo estado de conservação das calçadas, muito do desconforto que passamos quando caminhamos pela cidade, tem origem na forma como as pessoas usam os espaços públicos. Em Goiânia parece até que os carros tem ‘carta branca’ pra estacionar em cima das calçadas ou parar em cima das faixas de pedestres.  A precariedade física das calçadas não é responsabilidade só da prefeitura que constrói passeios inadequados e não fiscaliza sua utilização, mas é responsabilidade também dos proprietários dos imóveis que deveriam manter as calçadas à sua porta em condições de uso, com segurança e acessibilidade garantidas. É o que diz a lei: Plano Nacional de Mobilidade Urbana, Plano Diretor, Código de Obras e Edificações… sabiam que Goiânia tem até um Estatuto do Pedestre? Só que na prática, o que vemos é um completo descaso com a necessária qualidade do espaço público, especialmente o espaço situado na transição entre o que é público e o que é privado, como as calçadas. Por motivos históricos que não cabem nesse post, o brasileiro acostumou-se a entender o espaço público como espaço de ninguém, sobre o qual “eu não me preocupo pois é responsabilidade do governo, já que pago tantos impostos”. Precisa aprender que, na verdade, o espaço público é de todo mundo, inclusive meu e seu. Cuidar da calçada à porta de casa é tão importante quanto cuidar da própria casa pois ninguém vive enclausurado, todos desfrutam, de uma forma ou de outra, dos espaços urbanos e públicos da cidade. E o governo precisa assumir o seu papel: não basta só escrever leis, elas tem que ser cumpridas, fiscalizadas. O governo, especificamente o municipal, precisa aprender a gerir a cidade visando o bem estar do cidadão, a função social da cidade, garantir que todas as pessoas possam desfrutar na cidade daquilo que, há milênios atrás, nos motivou a começar a viver em comunidade: a vida social, pública. A qualidade do ambiente urbano é fundamental para garantir que eu possa me reunir com quem, onde e quando eu quiser, e também para que eu consiga me esquivar do que não me interessa.

Preocupada com as péssimas condições de urbanidade que a cidade de Goiânia tem desempenhado, a Sobreurbana traz um projeto-manifesto, lançado no Casa 7 Aberta – o PASSEIO LIVRE, em favor da qualificação dos passeios públicos, que são o principal palco da interação social na cidade. Uma proposta para melhorar a caminhabilidade das calçadas de Goiânia, a fim de melhorar sua urbanidade – questões que já começamos a discutir no Jane’s Walk Goiânia, na Av. Cora Coralina, mês passado. De início, estamos registrando pontos críticos pela cidade para depois transformá-los em oportunidades de reabilitação. E para nós é muito importante fazer isso de forma colaborativa: queremos saber o que você pensa a respeito, o que é que mais te incomoda, se você imagina alguma solução pra algum desses problemas.  Participe conosco e envie para info@sobreurbana.com uma imagem de calçada, passeio, praça… com alguma situação que precisa mudar e escreva como isso poderia ser feito. Vamos compilar todo o material que levantarmos e transformar numa proposta de intervenção, para execução através do poder público ou do setor privado.

O arquiteto dinamarquês Jan Gehl , em seu célebre livro “Cidade para Pessoas”, defende que a vitalidade de uma cidade é atingida por um processo contínuo de construção de ambientes receptivos a pessoas, que por sua vez atraem mais e mais pessoas e assim por diante. Nós concordamos com ele e acreditamos que uma forma de começar a atrair pessoas para os espaços públicos é garantindo-lhes as condições mínimas para circulação e permanência, dando-lhes um PASSEIO LIVRE.

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