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Quando os cidadãos se mobilizam, fazem a diferença. Foi o que aconteceu com o túnel pedonal de Alcântara, em Lisboa: uma passagem subterrânea que dá acesso à estação ferroviária de Alcântara-Mar e à zona das docas, que era suja, isolada e perigosa, muitas vezes evitada pelos pedestres… e é agora atração turística. A Associação Portuguesa de Arte Urbana é quem se encontra por trás desta intervenção que transformou este não-local numa vitrine das paisagens, monumentos e edifícios emblemáticos da cidade. “É quase uma vista de 360 graus sobre Lisboa”, diz o representante da associação.

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Com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa e patrocínios de cerca de 50 mil reais em tintas e spray, a Associação Portuguesa de Arte Urbana contou ainda com a ajuda de mais de 400 voluntários para cobrir as paredes do túnel, incluindo moradores e trabalhadores da zona, e mesmo turistas do Canadá, Alemanha, França e Brasil. A autarquia, por seu lado, renovou a iluminação no local, resolveu os problemas ao nível do escoamento de águas pluviais, para travar as infiltrações e prepara o próximo passo, que inclui a melhoria das acessibilidades e instalação de um café com palco para espetáculos.

Confira aqui a reportagem televisiva.

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Passeio Livre é um projeto-manifesto em favor da qualificação dos passeios públicos de Goiânia. As calçadas são o palco principal onde decorrem as interações sociais da cidade, no entanto o pedestre é constantemente forçado a usar a estrada devido à existência de obstáculos, buracos, estacionamento selvagem, entre muitos outros abusos, num espaço que deveria ser só seu.

O website do Passeio Livre é um mapa colaborativo onde denunciamos essas situações, que organizamos, para já, em quatro categorias: obstáculos, mau comportamento, buracos e sinalização deficiente.

Já recebemos várias denúncias e queremos continuar a compartilhá-las no nosso mapa. Colabore connosco enviando a(s) sua(s) foto(s), comentário e endereço do local denunciado para info@sobreurbana.com.

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Você já reparou na precariedade dos passeios públicos das ruas por onde anda? Se você circula à pé, não só já reparou como já deve ter sido vítima de alguma situação desfavorável, como calçadas cheias de buraco ou desníveis quase intransponíveis, pra citar só dois exemplos bem comuns.  Além do péssimo estado de conservação das calçadas, muito do desconforto que passamos quando caminhamos pela cidade, tem origem na forma como as pessoas usam os espaços públicos. Em Goiânia parece até que os carros tem ‘carta branca’ pra estacionar em cima das calçadas ou parar em cima das faixas de pedestres.  A precariedade física das calçadas não é responsabilidade só da prefeitura que constrói passeios inadequados e não fiscaliza sua utilização, mas é responsabilidade também dos proprietários dos imóveis que deveriam manter as calçadas à sua porta em condições de uso, com segurança e acessibilidade garantidas. É o que diz a lei: Plano Nacional de Mobilidade Urbana, Plano Diretor, Código de Obras e Edificações… sabiam que Goiânia tem até um Estatuto do Pedestre? Só que na prática, o que vemos é um completo descaso com a necessária qualidade do espaço público, especialmente o espaço situado na transição entre o que é público e o que é privado, como as calçadas. Por motivos históricos que não cabem nesse post, o brasileiro acostumou-se a entender o espaço público como espaço de ninguém, sobre o qual “eu não me preocupo pois é responsabilidade do governo, já que pago tantos impostos”. Precisa aprender que, na verdade, o espaço público é de todo mundo, inclusive meu e seu. Cuidar da calçada à porta de casa é tão importante quanto cuidar da própria casa pois ninguém vive enclausurado, todos desfrutam, de uma forma ou de outra, dos espaços urbanos e públicos da cidade. E o governo precisa assumir o seu papel: não basta só escrever leis, elas tem que ser cumpridas, fiscalizadas. O governo, especificamente o municipal, precisa aprender a gerir a cidade visando o bem estar do cidadão, a função social da cidade, garantir que todas as pessoas possam desfrutar na cidade daquilo que, há milênios atrás, nos motivou a começar a viver em comunidade: a vida social, pública. A qualidade do ambiente urbano é fundamental para garantir que eu possa me reunir com quem, onde e quando eu quiser, e também para que eu consiga me esquivar do que não me interessa.

Preocupada com as péssimas condições de urbanidade que a cidade de Goiânia tem desempenhado, a Sobreurbana traz um projeto-manifesto, lançado no Casa 7 Aberta – o PASSEIO LIVRE, em favor da qualificação dos passeios públicos, que são o principal palco da interação social na cidade. Uma proposta para melhorar a caminhabilidade das calçadas de Goiânia, a fim de melhorar sua urbanidade – questões que já começamos a discutir no Jane’s Walk Goiânia, na Av. Cora Coralina, mês passado. De início, estamos registrando pontos críticos pela cidade para depois transformá-los em oportunidades de reabilitação. E para nós é muito importante fazer isso de forma colaborativa: queremos saber o que você pensa a respeito, o que é que mais te incomoda, se você imagina alguma solução pra algum desses problemas.  Participe conosco e envie para info@sobreurbana.com uma imagem de calçada, passeio, praça… com alguma situação que precisa mudar e escreva como isso poderia ser feito. Vamos compilar todo o material que levantarmos e transformar numa proposta de intervenção, para execução através do poder público ou do setor privado.

O arquiteto dinamarquês Jan Gehl , em seu célebre livro “Cidade para Pessoas”, defende que a vitalidade de uma cidade é atingida por um processo contínuo de construção de ambientes receptivos a pessoas, que por sua vez atraem mais e mais pessoas e assim por diante. Nós concordamos com ele e acreditamos que uma forma de começar a atrair pessoas para os espaços públicos é garantindo-lhes as condições mínimas para circulação e permanência, dando-lhes um PASSEIO LIVRE.

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E se pudesse oferecer a fachada cinzenta e envelhecida da sua casa a um artista para a embelezar? O projecto Color+City junta numa plataforma proprietários e grafiteiros com o objetivo de proporcionar espaços autorizados para estes últimos mostrarem legalmente a sua arte e contribuirem para ruas mais coloridas e mais bonitas na cidade.

O proprietário que queira doar o espaço só tem de se inscrever no site do projeto, indicar a localização e juntar fotos e autorização. Os artistas interessados só têm de reservar o seu espaço de preferência e dar largas à sua arte. O projeto está disponível para todo o Brasil!

Descubra mais no vídeo abaixo:

Dois grupos brasileiros cheios de ótimas intenções:

 

O Grupo Nômade, sediado em Porto Alegre, se propõe a ativar ideias através da colaboração e engajamento. São um think tank, subdividido em dois núcleos: o Estúdio Nômade, que desenvolve projetos de engajamento para empresas e governos, e a Nômade IND, um braço independente do grupo para o desenvolvimento de projetos autorais. Como instrumentos, o grupo utiliza arte, ciência e tecnologia para investigar novas formas de relacionamento entre as organizações e a sociedade.

Destaco dois de seus projetos independentes: o TransvençãoLAB, sediado no Nós Co-working e desenvolvido para criar projetos inovadores para a cidade, através da colaboração e da web. Com pouco tempo de existência já ganhou um prêmio da também recente Secretaria Nacional da Economia Criativa, por sua metodologia de aprendizagem em rede. E o Estante Pública, pouco mais antigo e famoso, inaugurado nas ruas da sortuda Porto Alegre em julho de 2008. O projeto, que investiga a gestão coletiva e popular de espaços urbanos, instalou desde então uma série de estantes com livros em pontos de ônibus em vários bairros da cidade. Com estruturas simples e sem nenhum tipo de controle de órgãos públicos ou privados, as estantes ocupam o inutilizado espaço para publicidade dos pontos de ônibus e permitem a livre troca de livros entre as pessoas. Poético!

 

Processo participativo do grupo USINA

Outro grupo muito bem intencionado é o USINA – Centro de Trabalhos para o Ambiente Habitado. São arquitetos, artistas, engenheiros, cientistas sociais e outros profissionais de diversas áreas, há mais de duas décadas propondo experiências territoriais num contexto de luta social e reforma urbana, especialmente em São Paulo. Construíram uma bela história ao lado de movimentos sociais, oferecendo-lhes um apoio técnico fortemente engajado, para a produção de empreendimentos habitacionais e equipamentos públicos, em áreas urbanas e rurais, além de planejamento urbano. Em verdadeiros canteiros de obras experimentais, o grupo faz uma arquitetura autogestionada, onde tudo – projeto, obra, técnica, estética – é discutido com os futuros moradores. São exitosas experiências de processos participativos na construção da cidade, somente possíveis com o envolvimento de profissionais interessados e dispostos em subverterem a ordem. Com muita maestria.

Duas iniciativas inspiradoras:

 

Architecture for Humanity

Uma rede aberta formada por arquitetos, designers, engenheiros e afins, do mundo inteiro, unidos para melhorar as condições de vida de pessoas que vivem em situação de risco, especialmente. Fundada em 99 em New York, não tem fins lucrativos; dão, recebem e compartilham design. Para viabilizar essa rede construíram o Open Architecture Network.

 

La Calderería

Um coletivo multidisciplinar que identifica demandas e propõe soluções para a melhoria de comunidades através de processos participativos, promovendo a cidadania. Estão localizados em Valencia – Espanha, e se auto intitulam como um laboratório de cultura emergente e economia social. Contam com um galpão abandonado cedido através de uma espécie de arrendamento, onde em troca oferecem a própria reforma e manutenção do edifício além de serviços para a comunidade. A ocupação desse espaço está sendo feita através de concursos de projetos.

 

Aqui no Brasil temos muitos ingredientes: enorme déficit habitacional e de justiça social, mercado incipiente para a economia criativa, alta criatividade e capacidade de inovação, cidades novíssimas com tudo por se fazer, mercados em ascensão. O que pensam – e o que fazem – nossos arquitetos, urbanistas, designers, engenheiros… diante essa realidade? Conheço algumas iniciativas brasileiras, na maioria das vezes ainda muito flageladas pelas dificuldades de um mercado restrito, elitizado e conservador. Irei mostrá-las nos próximos posts. Você conhece alguma? Vamos partilhar?

Em Todmorden,  pequena cidade inglesa situada perto de Manchester, há hortas e árvores de fruto em toda a parte onde qualquer um se pode servir.

O projeto “Incredible Edible” (“Incrivelmente Comestível”) teve início há poucos anos e pretende estimular o espírito comunitário através daquilo que nos é essencial a todos: o alimento.

Inicialmente a ideia foi apresentada à comunidade numa sessão pública e recebeu logo o apoio de todos. Não foi necessário fazer pedidos de autorização, redigir relatórios ou procurar financiamento. Simplesmente fez-se e toda a comunidade contribuiu.

O terreno baldio que ladeia a estrada principal, antes usado apenas pelos cães para fazerem as suas necessidades, transformou-se num jardim de ervas aromáticas. Nos parques e nas escolas da cidade surgiram pequenas hortas comunitárias. Na esquadra da polícia nasceram feijões, junto ao centro de saúde árvores de fruto e no cemitério hortaliças. Esta iniciativa não só uniu a comunidade, como tornou a cidade num ponto de atração turística.

A página oficial do Incredible Edible pode ser consultada aqui.