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Foi o ato de caminhar que levou a humanidade à criação da arquitetura e, consequentemente, das cidades. A necessidade de alimentação e de construção simbólica do território para a garantia da sobrevivência levou os caçadores e os pastores do paleolítico a situarem no espaço natural o primeiro objeto marco da antropização – o menir – a partir do qual se desenvolveu toda a arquitetura.

Até hoje, as escolhas que as pessoas fazem das ruas, avenidas e passarelas que percorrem, influenciam diretamente na forma como elas se relacionam com a cidade e com as outras pessoas.

No entanto, a priorização dos veículos motorizados em detrimento aos modos saudáveis de transporte tem consumido o espaço urbano com infraestruturas dedicadas aos fluxos de automóveis, em detrimento ao pedestre e ao ato de caminhar, ainda que a maior parte dos deslocamentos pelas cidades continue sendo feita a pé.

As infraestruturas dedicadas aos pedestres, com menor valor na construção capitalista do espaço urbano, geralmente oferecem às pessoas experiências negativas e passam a ser evitadas, revelando um círculo vicioso: as pessoas evitam andar pelas ruas e as cidades seguem sendo construídas só para os carros.

Com o objetivo de familiarizar as pessoas com as ruas das cidades, a comunidade internacional Jane’s Walk promove passeios comunitários a pé desde 2008, quando foi fundada na cidade de Toronto/CA. A ideia é aproximar as pessoas dos espaços públicos da cidade, incentivando-as a lutarem por melhores condições, fortalecendo assim a vida comunitária. Tudo isso através do ato de caminhar.

A Sobreurbana, que desde sua inauguração em dezembro de 2013 tem promovido desses passeios na cidade de Goiânia, realizou em 21 de setembro de 2014, no âmbito da Semana da Mobilidade, o Jane’s Walk Mais Vida Menos Motor, com o objetivo de discutir sobre mobilidade urbana na perspectiva do pedestre. A atividade aconteceu através de uma parceria com a arquiteta Ana Paula Borba e o ambientalista e cicloativista Uirá Lourenço que levaram pela primeira vez os Jane’s Walks à capital federal. No mesmo dia realizamos um passeio em Brasília e outro em Goiânia, promovendo a mesma discussão e ainda colaborando com a Campanha Sinalize do Portal Mobilize Brasil, através de um questionário sobre a qualidade da sinalização para o pedestre nos trechos percorridos. Dessa avaliação surgiu uma média atribuída a cada trecho de cada cidade, inserida na plataforma on line da campanha, visível neste link. Para as duas cidades a avaliação foi muito negativa.

Goiânia e Brasília são duas cidades planejadas e construídas no sertão do país na primeira metade do século passado, ambas com a função de sediar o poder político – a primeira do estado de Goiás e a segunda do governo federal. As duas cidades foram construídas através de grandes projetos de planejamento urbano, que na época supervalorizavam o advento do automóvel. Como resultado, apresentam malhas viárias muito diferentes uma da outra mas ambas sugerem a segregação, longas distâncias e a alta velocidade, pesadelos diários para pedestres e ciclistas.

Em Goiânia o passeio teve início na Praça Cívica e percorreu importantes avenidas, ruas e alguns becos do Setor Central, buscando observar as diferentes infraestruturas da mobilidade urbana lá instalada: ruas dedicadas ao incentivo da velocidade dos carros, corredores exclusivos do transporte coletivo, sua única rua pedonal, becos e ciclovia. Quinze pessoas compareceram, num domingo atípico devido à realização de várias outras manifestações sociais na cidade, como a Caminhada pelo Clima e a Parada Gay. A discussão ao longo do passeio foi sobre como nós pedestres nos colocamos no meio disso tudo, uma reflexão que passa pela questão da apropriação dos espaços públicos da cidade.

Ao final do percurso os participantes responderam a um questionário com perguntas sobre a experiência do passeio e os espaços visitados. Sobre alguma surpresa que tivessem tido durante o percurso, foi quase unânime a descoberta dos becos do centro da cidade. Desenhados no projeto inicial para serem ruas de serviço (como a coleta de lixo, carga e descarga…) os becos permanecem na malha da cidade como espaços residuais pouco visíveis, e vem sendo tomados por estacionamentos particulares. Questionados sobre a satisfação em relação à situação atual da Praça Cívica, as respostas sempre apontaram para a necessidade de aumentar a arborização, retirar a pavimentação asfáltica e o uso como estacionamento, devolvendo-a aos pedestres. Vale dizer que hoje, cinco meses depois do passeio, a Praça Cívica passa por uma reforma polêmica e muito pouco discutida na cidade, que interfere exatamente nos pontos levantados pelos participantes. Sobre a experiência do Jane’s Walk, as respostas revelaram o prazer em redescobrir a cidade, compartilhando dos vários pontos de vistas e experiências dos participantes, o que nos faz concluir que cumprimos nosso objetivo com o passeio.

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Para o caso de Brasília, o percurso teve início no estacionamento de uma entrequadra (208/408 norte) que fica ao lado de um posto de saúde e contou com 31 participantes, dentre eles, quatro crianças e uma cadela (que não entrou na contagem).

Surpreendente notar que durante o percurso havia o nítido desconhecimento dos espaços pelos participantes, que na maioria, moravam na redondeza do trajeto escolhido, mas só o conhecia por meio dos deslocamentos diários dentro de seus veículos.

Alguns dos pontos debatidos durante o percurso e que são cruciais para o impedimento de uma mobilidade urbana fluida foram: (a) grandes áreas vazias e sem infraestrutura pedonal, (b) presença de vias expressas dividindo a cidade e sendo uma barreira física aos deslocamentos não motorizados, (c) barreiras ao nível do pé (escadas, rampas com alta inclinação, espaços estreitos, etc.), (d) uso compartilhado da ciclovia, provocando certo conflito entre pedestres e ciclistas,  principalmente para pessoas com mobilidade reduzida, etc. Com isso, ratifica-se (mais uma vez) que o desenho da cidade provoca um distanciamento cada vez maior entre os espaços e os seus usuários no que tange a escala humana, fomentando, portanto, o uso desmedido dos veículos motorizados.

Assim como em Goiânia, realizou-se também a análise da sinalização pedonal durante o percurso – considerada em média pelos participantes como muito ruim –, além do preenchimento do mesmo questionário, em que o primeiro item destinava-se a completar a frase em relação ao Eixão: “Se essa rua, se essa rua fosse minha, eu mandava eu mandava…”, interessante notar como a grande maioria, sendo motoristas no dia a dia, mas ali por algumas horas “estavam” pedestres e sentiram a cidade na escala humana e não na motorizada, se deram conta de que aquele poderia ser sim um local de contemplação, com mais arborização, “mais vida e menos motor”.

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Texto escrito com a colaboração de Ana Paula Borba e Uirá Lourenço.

Semana passada a Sobreurbana esteve presente no seminário e workshop ‘Tecnopolítica, Democracia e Urbanismo Táctico’, conduzido pelo grupo de pesquisa Indisciplinar, da UFMG, no âmbito do VAC9 – Verão Arte Contemporânea, em Belo Horizonte.

Dois dias de conversas muito interessantes sobre democracia e cidade, passando pelas rápidas transformações que os territórios urbanos vem sofrendo, o impacto das novas tecnologias nesse processo, o papel do urbanista, a corrupção da memória na era do urbanismo botox e a necessária reinvenção do comum.

Duas descobertas interessantíssimas: o trabalho dos professores Monique Sanches e Maurício Leonard na UFOP, que realizam urbanismo táctico na cidade de Ouro Preto dentro de uma disciplina na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo; e o trabalho do coletivo Micrópolis, um grupo de estudantes que convenceu seus professores a deixá-los fazerem o trabalho de conclusão de curso em grupo, num tradicional bairro de BH – o Calafate – realizando uma série de mapeamentos, micro intervenções e eventos buscando o envolvimento comunitário para testar ações de reconquista do espaço público.

Para amarrar tudo muitíssimo bem, a apresentação do italiano Domenico di Siena, o Urbano Humano que veio ao Brasil exclusivamente para o evento e para dividir conosco seu conhecimento e experiência na atuação com urbanismo open source. Considerando a necessidade de reinventarmos, apoiados na explosão de novas tecnologias, novas formas de interação e construção do urbano, Domenico explorou e defendeu conceitos muito interessantes dos quais destacamos alguns:

  • O cidadão enquanto prosumer – consumidor mas também produtor da cidade.
  • A dimensão glocal – utilizar a inteligência coletiva global de forma situada, para o tratamento de coisas muito concretas, pontuais, locais.
  • A ideia de rede ao invés de comunidade, visto que em rede há horizontalidade, sentido comum ao invés da construção de consensos, e a possibilidade de multi-pertença. Afinal não temos só uma identidade ou só um interesse…

Já buscando o entendimento prático sobre esses e outros conceitos, estivemos nos dois últimos dias do evento produzindo uma intervenção urbana e coletiva na Praça Carlos Marques, no Bairro Calafate, em contribuição ao trabalho iniciado pelo Micrópolis, e que também foi uma ótima experiência para todos nós. Lambes com imagens antigas de pessoas do bairro, lambes sobre a Operação Urbana Consorciada do qual o bairro está sendo alvo, brincadeiras para crianças e adultos, troca de histórias pessoais por livros usados, foram algumas das ações realizadas.

A ação em que a Sobreurbana esteve diretamente envolvida foi uma instalação no coreto da praça, local que sempre abrigou moradores de rua, personagens identificados pelos moradores como o maior ‘problema’ do local. Para questionar a forma como as cidades tratam os moradores de rua, desenhamos a planta de uma casa no piso do coreto e escrevemos um versinho singelo em sua escadaria, para reforçar que o caráter público daquele lugar, o torna tanto meu, quanto seu, quanto de um morador de rua.

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Urbanismo táctico, emergente, open source… experiências que vamos compartilhando para construir a inteligência coletiva global que silenciosamente já está transformando o mundo.

Você acredita nisso?

 

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Semana que vem, dia 24 de Outubro, Goiânia completa 81 anos de ocupação do cerrado. Para comemorar, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás convidou vários criativos, coletivos e descolados para comporem uma agenda de atividades que convidem à ocupação da capital. De 11 de Outubro a 2 de Novembro teremos várias atividades gratuitas, lúdicas, cívicas e deliciosas celebrando a cidade que somos e refletindo sobre a cidade que estamos construindo dia-a-dia.

A Sobreurbana ocupa Goiânia em duas ações:

Uma delas é a Escola de Parklet com o Instituto Mobilidade Verde-IMV, num curso de 17 a 19/10 no espaço mais criativo da cidade, o Coletivo Centopeia.

Mas… Parklet é o que mesmo? É um prolongamento da calçada, como uma mini praça sobre uma ou duas vagas de estacionamento. Uma proposta lançada em São Francisco/ EUA, para discutir sobre uma redistribuição do espaço urbano entre carros e pessoas. Ano passado o IMV fez o primeiro parklet em São Paulo e neste ano já conseguiu que a prefeitura regulamentasse a execução desse mobiliário urbano na cidade, através do Decreto 55.045/2014. Esperamos com essa ação, exercitar nossa imaginação sobre a qualidade dos espaços públicos de Goiânia e abrir o caminho para a construção de parklets aqui no cerrado. Quem quiser se inscrever, envie um e-mail para info@sobreurbana.com informando nome, telefone, idade e profissão/atividade. Mas corra porque são só 24 vagas!

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A outra é uma Prototipagem de Intervenção Urbana na Praça Universitária, que a Sobreurbana vai desenvolver no decorrer de todos esses dias. Prototipagem? Sim, e significa exatamente o que o termo quer dizer: experimentação. É uma nova tendência na feitura de espaços públicos, segundo o preconizado pelo placemaking e o urbanismo táctico, na tríade ‘mais leve, mais rápido e mais barato’.  A ideia é experimentar soluções, sendo o experimento já uma proposta de uso imediato, que ao longo do tempo vai sendo legitimada ou não pelas pessoas, para uma posterior intervenção definitiva, se for o caso. Quer um exemplo? A Sobreurbana participou no mês passado da 1º Oficina do Cidades para Pessoas onde prototipamos uma intervenção na Passarela Rebouças, em São Paulo, que resultou no projeto Passanela, lançado no Catarse para financiamento coletivo.

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Junto à entrada do Palácio da Cultura, na Praça Universitária da capital goiana (parte de cima da praça), temos instalados desde abril dois painéis do projeto Before I Die, os quais substituiremos por uma nova brincadeira que também buscará interação com os transeuntes através da escrita e da leitura. Acompanhe nosso trabalho lá no local ou aqui em nossa página.

Participe e ocupe sua cidade, todos os dias, todas as ruas. Seja a sua cidade!

Ok, você sabe que Goiânia é uma jovem cidade, planejada no século passado para ser a capital do estado, com arquitetura art déco e uma boa quantidade de parques urbanos que emolduram a sua vida ainda pacata. Mas… você sabia, por exemplo, que é possível caminhar por quase todo o Setor Sul atravessando somente suas áreas verdes, generosas em sombras e arte urbana da mais alta qualidade? Sabia que algumas das áreas mais afetadas com as fortes chuvas são leitos de córregos enterrados sob ruas e edifícios emblemáticos da cidade? Sabia que o tradicional Setor Pedro Ludovico foi o último bairro construído pelo estado, quando da construção de Goiânia e que contém o maior parque urbano da cidade, o Jardim Botânico? E sabia que esse tesouro cultural e ambiental está ameaçado pela mais recente investida da especulação imobiliária, que pretende, com o aval da prefeitura, acinzentar a ainda boa qualidade de vida do bairro com a construção de altas torres e entupindo suas ruas de carros? Venha descobrir tudo isso e muito mais nos três passeios que estamos promovendo em Goiânia. São três excelentes oportunidades para o goianiense conhecer melhor sua cidade e entender como, individual e coletivamente, pode contribuir para melhorá-la. Junte-se a nós e venha se perder e se encontrar nas ruas de Goiânia! Programação Festival Jane’s Walk Goiânia 2014 3 de Maio, manhã: junto com o Design da Cidade iremos em busca do Córrego dos Buritis entre os setores Sul, Oeste e Marista. 3 de Maio, tarde: junto com o murAU, iremos discutir o adensamento, verticalização e preservação ambiental no Setor Pedro Ludovico. 4 de Maio, tarde: junto com a Hábil Produção, iremos percorrer os espaços verdes do Setor Sul e discutir sobre arte e ocupação urbana no âmbito de seu projeto MUdA. Observar e viver a cidade a pé, devagar, apreendendo o seus detalhes, é fundamental para entendermos os porquês de tantos problemas que sofremos em nosso dia-a-dia e cuja solução está em nossas mãos – que faltam se unir – ou em nossos olhos – que estão fechados para o que realmente importa – ou em nossa vozes – acostumadas a se calarem diante das verdades impostas para um coletivo que nunca é ouvido durante a construção privada e autoritária da cidade. Jane’s Walk Em 2007 foi criada em Toronto uma organização chamada Jane’s Walk com a proposta de contribuir para a construção de comunidades mais fortes e engajadas e inspirada nas idéias de Jane Jacobs. Jacobs foi uma ativista de grande influência sobre o pensamento urbanístico atual, que na década de 1960 conseguiu, junto com seus vizinhos, evitar a destruição de bairros tradicionais da cidade de Nova Iorque, onde vivia. Ela conseguiu isso incutindo nas pessoas a perspectiva de que as cidades tem que ser feitas para elas, considerando suas necessidades cotidianas e a segurança emocional advinda da rica e pulsante vida pública que se desenrola pelas calçadas. As calçadas precisam ter vida! E as ruas precisam ter olhos voltados para elas. Para isso, as pessoas precisam se apropriar dos espaços públicos da cidade. Assim, a proposta do Jane’s Walk é promover passeios comunitários liderados por voluntários que desejam revelar os bairros onde vivem, redescobrindo suas cidades e aproximando as pessoas entre elas e em torno da vida urbana, fundamental para a qualidade de vida das cidades. Anualmente, a organização promove o Jane’s Walk Festival, sempre no início do mês de maio, quando seria o aniversário de Jacobs, falecida em 2006. Na mesma data, milhares de pessoas ocupam as ruas de centenas de cidades pelo mundo para celebrarem a vida em comunidade, discutirem sobre os problemas e riquezas de suas cidades, e se redescobrirem nelas. Esta será a segunda vez que a Sobreurbana organiza um Jane’s Walk em Goiânia. O primeiro passeio aconteceu em dezembro do ano passado, na Av. Cora Coralina, Setor Sul, onde se discutiu a qualidade daquele ambiente urbano. _JMF5045

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Before I Die é um projeto de arte global que nos convida a refletir sobre nossas vidas e a compartilhar nossas aspirações pessoais num espaço público. O projeto foi iniciado por Candy Chang nas paredes de uma casa abandonada em New Orleans. Após a morte de um ente querido, a artista Candy Chang passou um longo período de luto e depressão profunda. A ideia da morte alterou-lhe por completo suas perspectivas do que realmente importava e desejou criar um mural que a lembrasse disso todos os dias, e queria também saber o que seus vizinhos e amigos desejavam da vida. Obteve permissão para pintar o exterior de uma casa abandonada no seu bairro e cobriu-a com tinta de quadro negro. De seguida escreveu repetidamente “Antes de morrer eu quero _______.” e deixou giz para quem quisesse completar a frase. No dia seguinte a parede já se encontrava totalmente preenchida. Publicou algumas fotos nas redes sociais e de imediato recebeu centenas de pedidos de pessoas que queriam reproduzir o projeto nas suas comunidades. Desde então, Before I die já foi apresentado em 30 idiomas e em mais de 65 países, incluindo várias cidades do Brasil.

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A ideia de trazer este projeto pela primeira vez para Goiânia surgiu após um convite do jovem artista Marcelo Dakí para fazermos uma proposta de ocupação artística que ampliasse as vivências dos visitantes da sua exposição Legião. Com a permissão do Museu de Arte de Goiânia, afixamos dois painéis gigantes em duas paredes pichadas junto à entrada principal do Palácio da Cultura. O resultado foi surpreendente e imediato, apresentando uma enorme adesão por parte de muita gente, independentemente da idade ou classe social. Sem qualquer tipo de censura, sem depredação, estas paredes que são constantemente fotografadas e limpas assim que ficam preenchidas, ecoam toda uma multiplicidade de sentimentos, desejos, ódios e reflexões que caracterizam os frequentadores daquele espaço público.

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Quando os cidadãos se mobilizam, fazem a diferença. Foi o que aconteceu com o túnel pedonal de Alcântara, em Lisboa: uma passagem subterrânea que dá acesso à estação ferroviária de Alcântara-Mar e à zona das docas, que era suja, isolada e perigosa, muitas vezes evitada pelos pedestres… e é agora atração turística. A Associação Portuguesa de Arte Urbana é quem se encontra por trás desta intervenção que transformou este não-local numa vitrine das paisagens, monumentos e edifícios emblemáticos da cidade. “É quase uma vista de 360 graus sobre Lisboa”, diz o representante da associação.

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Com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa e patrocínios de cerca de 50 mil reais em tintas e spray, a Associação Portuguesa de Arte Urbana contou ainda com a ajuda de mais de 400 voluntários para cobrir as paredes do túnel, incluindo moradores e trabalhadores da zona, e mesmo turistas do Canadá, Alemanha, França e Brasil. A autarquia, por seu lado, renovou a iluminação no local, resolveu os problemas ao nível do escoamento de águas pluviais, para travar as infiltrações e prepara o próximo passo, que inclui a melhoria das acessibilidades e instalação de um café com palco para espetáculos.

Confira aqui a reportagem televisiva.

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Você já reparou na precariedade dos passeios públicos das ruas por onde anda? Se você circula à pé, não só já reparou como já deve ter sido vítima de alguma situação desfavorável, como calçadas cheias de buraco ou desníveis quase intransponíveis, pra citar só dois exemplos bem comuns.  Além do péssimo estado de conservação das calçadas, muito do desconforto que passamos quando caminhamos pela cidade, tem origem na forma como as pessoas usam os espaços públicos. Em Goiânia parece até que os carros tem ‘carta branca’ pra estacionar em cima das calçadas ou parar em cima das faixas de pedestres.  A precariedade física das calçadas não é responsabilidade só da prefeitura que constrói passeios inadequados e não fiscaliza sua utilização, mas é responsabilidade também dos proprietários dos imóveis que deveriam manter as calçadas à sua porta em condições de uso, com segurança e acessibilidade garantidas. É o que diz a lei: Plano Nacional de Mobilidade Urbana, Plano Diretor, Código de Obras e Edificações… sabiam que Goiânia tem até um Estatuto do Pedestre? Só que na prática, o que vemos é um completo descaso com a necessária qualidade do espaço público, especialmente o espaço situado na transição entre o que é público e o que é privado, como as calçadas. Por motivos históricos que não cabem nesse post, o brasileiro acostumou-se a entender o espaço público como espaço de ninguém, sobre o qual “eu não me preocupo pois é responsabilidade do governo, já que pago tantos impostos”. Precisa aprender que, na verdade, o espaço público é de todo mundo, inclusive meu e seu. Cuidar da calçada à porta de casa é tão importante quanto cuidar da própria casa pois ninguém vive enclausurado, todos desfrutam, de uma forma ou de outra, dos espaços urbanos e públicos da cidade. E o governo precisa assumir o seu papel: não basta só escrever leis, elas tem que ser cumpridas, fiscalizadas. O governo, especificamente o municipal, precisa aprender a gerir a cidade visando o bem estar do cidadão, a função social da cidade, garantir que todas as pessoas possam desfrutar na cidade daquilo que, há milênios atrás, nos motivou a começar a viver em comunidade: a vida social, pública. A qualidade do ambiente urbano é fundamental para garantir que eu possa me reunir com quem, onde e quando eu quiser, e também para que eu consiga me esquivar do que não me interessa.

Preocupada com as péssimas condições de urbanidade que a cidade de Goiânia tem desempenhado, a Sobreurbana traz um projeto-manifesto, lançado no Casa 7 Aberta – o PASSEIO LIVRE, em favor da qualificação dos passeios públicos, que são o principal palco da interação social na cidade. Uma proposta para melhorar a caminhabilidade das calçadas de Goiânia, a fim de melhorar sua urbanidade – questões que já começamos a discutir no Jane’s Walk Goiânia, na Av. Cora Coralina, mês passado. De início, estamos registrando pontos críticos pela cidade para depois transformá-los em oportunidades de reabilitação. E para nós é muito importante fazer isso de forma colaborativa: queremos saber o que você pensa a respeito, o que é que mais te incomoda, se você imagina alguma solução pra algum desses problemas.  Participe conosco e envie para info@sobreurbana.com uma imagem de calçada, passeio, praça… com alguma situação que precisa mudar e escreva como isso poderia ser feito. Vamos compilar todo o material que levantarmos e transformar numa proposta de intervenção, para execução através do poder público ou do setor privado.

O arquiteto dinamarquês Jan Gehl , em seu célebre livro “Cidade para Pessoas”, defende que a vitalidade de uma cidade é atingida por um processo contínuo de construção de ambientes receptivos a pessoas, que por sua vez atraem mais e mais pessoas e assim por diante. Nós concordamos com ele e acreditamos que uma forma de começar a atrair pessoas para os espaços públicos é garantindo-lhes as condições mínimas para circulação e permanência, dando-lhes um PASSEIO LIVRE.

cidade como processo

No dia 07/12/13 a Sobreurbana realizou o primeiro Jane’s Walk Goiânia, na Av. Cora Coralina, como parte das atividades do Casa 7 Aberta. Além de depoimentos gravados em vídeo durante todo o passeio, realizamos um questionário com os participantes, cujo resultado trazemos neste post e acreditamos que seja uma boa forma de entender um pouco mais sobre esse fragmento da cidade. O Jane’s Walk é um projeto criado em 2007 em Toronto, sob forte inspiração do trabalho de Jane Jacobs. O objetivo dos passeios é levar as pessoas para as ruas para que elas conheçam melhor as cidades onde vivem. Abaixo, um registro sobre o passeio em Goiânia.

Foto by Júlia Mariano

Foto by Júlia Mariano

O questionário proposto trazia oito perguntas objetivas sobre a avenida e outras 2 perguntas sobre a experiência do Jane’s Walk. Foi unânime a satisfação com o passeio: todos responderam que o Jane’s Walk mudou a forma de se relacionarem com a cidade e que participariam de outros passeios, deixando como sugestões os seguintes itinerários: Praça Universitária; Rua 20, Centro; Campinas; Vila Cultural; Rua do Lazer. Essas sugestões refletem os lugares que são caros para as pessoas que participaram do passeio: são lugares pela cidade que, segundo elas, merecem mais atenção, reflexão, ação. E você, concorda que esses lugares citados precisam das nossas vozes e corpos pela rua? A Sobreurbana concorda e em breve fará um segundo Jane’s Walk Goiânia para lhes dar a oportunidade de dizerem tudo o que pensam sobre eles, estejam atentos!

Sobre a Avenida Cora Coralina, não houve surpresa nas respostas. A maioria das pessoas revelou que reconhece quando passa pela avenida mas que tem dificuldade de se orientar em relação a seus pontos referenciais. Perguntados sobre qual ponto de referência usariam para localizar a avenida, metade das pessoas citou a Universo, seguida da Praça Cívica, avenidas 84 e 85 e o Ed. Leonardo Rizzo. Também a metade revelou que usa a avenida somente às vezes e como local de passagem. Mesmo assim, não se sentem acolhidos transitando de carro, moto, à pé ou de bicicleta. Nem tão pouco usufruindo de suas áreas verdes. Por fim, a maioria disse que não acha a Av. Cora Coralina uma avenida típica do Setor Sul e que sua construção piorou a qualidade do bairro. Vários depoimentos ao longo do passeio trouxeram com saudosismo lembranças sobre tempos de qualidade vividos no Setor Sul. Mas também refletimos bastante sobre a nossa responsabilidade em fazermos a cidade que queremos, no cuidado com os espaços públicos e nas relações de vizinhança. Por fim, encerramos o passeio com um chamamento que repetimos aqui agora: precisamos nos mobilizar pela nossa cidade. Se você está insatisfeito sobre a forma como sua cidade está sendo gerida então você precisa se engajar pela transformação desse cenário. A cidade é o que nós fazemos dela. Faça você a mudança que você quer ver no seu bairro, junte-se a alguma organização que luta pelos direitos urbanos, junte-se a nós da Sobreurbana e vamos fazer uma Goiânia melhor!

Esperamos com a realização desse e dos próximos Jane’s Walks contribuir para o engajamento das pessoas pela cidade. Nossa intenção é levar as pessoas para a rua, para sentirem a cidade e conversarem sobre seus problemas e maravilhas. Acreditamos que essa é uma forma de conhecermos melhor o espaço em que vivemos e de nos fortalecermos enquanto agentes urbanos.

 

 

 

 

 

É com muito orgulho que anunciamos a concretização da nossa primeira sede!

Juntamo-nos a um grupo de pessoas empreendedoras e colaborativas, em uma casa incrível, decorada por uma rica coleção de objetos antigos e interessantes, a Casa 7.

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Um dos curiosos cantinhos da Casa 7, venham ver?!

Para dividir essa alegria com todos que, como nós, acreditam no poder da criatividade das multidões, vamos abrir as portas da Casa 7 e ocupar a rua, oferecendo uma programação cheia de interações com a cidade. Dia 07 de dezembro, aguardamos todos vocês para o Casa 7 Aberta, numa rica tarde de sábado, a partir das 16h.

A primeira atividade confirmada tem selo canadense e tempero goiano: o Jane’s Walk Goiânia.  O projeto Jane’s Walk promove passeios comunitários para discutir sobre a qualidade do ambiente urbano e a forma com que nos relacionamos com ele, construindo assim vizinhanças fortes e criativas. O projeto foi criado em 2007 em Toronto por amigos da lendária Jane Jacobs, autora do célebre livro “Morte e Vida das Grandes Cidades”. Desde então já foram realizadas mais de 600 edições no mundo inteiro, inclusive uma em São Paulo, em 2011.

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Avenida Cora Coralina. Como habitar?

E pra combinar melhor com nosso novo lar, em breve teremos nossa nova identidade visual, que está sendo preparada com muito carinho e estilo pela talentosa Sophia Pinheiro.

Aguardem!

O Complexo Biourban Bairro Amarelo, idealizado e conduzido pelo cientista político e artista plástico Jefferson Anderson, utiliza a arte e o fortalecimento da cidadania como meios de transformação da comunidade. O projeto, já  premiado internacionalmente, começou com a ocupação de uma escadaria, transformando-a num lugar de convivência, possível pela integração entre os moradores. Hoje o complexo inclui além da escadaria, um centro polifuncional público e uma ocupação habitacional em um prédio antes inutilizado.

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Em Belo Horizonte, a centenas de quilômetros do mar, uma praia no centro da cidade: a Praia da Estação. Ocupação iniciada em 2010, fortemente motivada por um decreto municipal que proibia eventos de qualquer natureza na Praça da Estação. Desde então a praia de BH reúne animados banhistas todos os sábados. Tamanho foi o sucesso que no ano seguinte o prefeito sancionou a Lei da Praça Livre, liberando os espaços públicos de BH para pequenos eventos. Para continuar vencendo outras batalhas urbanas, os banhistas mantém o bronzeado e o posicionamento político, sol a sol, decreto após decreto: a praça é do povo.

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O que essas duas iniciativas têm em comum? Militância urbanística! Sonhos de ocupação, realidades de resistência.