A 1ª Semana da Ecologia Urbana de Goiânia será, queremos que seja, a primeira de muitas semanas dedicadas anualmente ao macro tema da Ecologia Urbana, na região de Goiânia e no mundo.

Globalmente, tem-se experienciado fenômenos extremos como ilhas de calor, enchentes, secas, poluição do ar e da água e perda da biodiversidade. No seu crescimento, as cidades que não conhecem o seu ecossistema, destratam a natureza e provocam danos por vezes irreversíveis. Mas com o conhecimento e ferramentas adequadas, elas podem encontrar soluções que contribuam para uma melhor relação com o planeta, que melhoram a qualidade de vida do cidadão, que tornam a cidade mais limpa, mais bonita e que valorizam a própria região.

O objetivo da Semana da Ecologia Urbana de Goiânia é de contribuir cultural e tecnicamente na melhoria da resiliência urbana e no desempenho das cidades, reunindo profissionais, pesquisadores e apaixonados pela tema para compartilhar seus conhecimentos através de palestras, seminários, oficinas, workshops e outras atividades que estimulem o networking e a troca de conhecimentos.

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De 08 a 13 de setembro deste ano foi realizada em São Paulo a 1ª Oficina do Cidades para Pessoas. Para quem ainda não conhece ainda, o Cidades para Pessoas é um projeto jornalístico que reúne em um banco de dados, experiências e iniciativas coletadas em cidades da Europa e da América do Norte voltadas para a humanização das cidades. Isso mesmo: como tornar nossas cidades mais atraentes ao uso e ao convívio entre pessoas? Essa pergunta levou a jornalista Natália Garcia a duas viagens financiadas coletivamente (aqui no Catarse), a observar as cidades consideradas bem-sucedidas nesta matéria, reunir seus bons exemplos e espalhar essas ideias aqui no Brasil.

Depois de alguns anos viajando todo o Brasil para mostrar o que ela viu lá fora e chamar a nossa atenção para o potencial de nossas cidades, a Natália propôs, dentro do Festival CoCidade, a 1ª Oficina do Cidades para Pessoas. A oficina buscou, numa escala local, prototipar ideias que melhorassem a qualidade e o uso de algum lugar público da cidade de São Paulo, onde ela aconteceu. Para as atividades, foi selecionado um grupo de 20 pessoas, das mais diversas áreas de atuação, do Brasil e do mundo, do qual a Sobreurbana fez parte.

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Durante uma semana, nós exploramos a cidade para localizar problemas e potenciais urbanos e então prototipar uma ideia e formatar um projeto de financiamento coletivo para viabilizá-la. Ufa! Foram dias muito intensos mas muito ricos. Nosso local escolhido: a passarela para pedestres sobre a Av. Rebouças que dá acesso ao Incor. Nossa missão: transformar aquele espaço em um lugar.

Com metas diárias, o grupo da oficina tentou primeiro compreender a dinâmica do espaço: passamos umas boas horas no local, conversando com as pessoas, desenhando a passarela em todos os seus ângulos e detalhes, observando os fluxos de deslocamento das pessoas para compreender porque elas a evitavam, e buscando confirmar com os transeuntes as nossas próprias percepções sobre os problemas e potencialidades do espaço.

A partir daí, prototipamos com um mínimo de recursos financeiros e tempo, soluções para fornecer sombra, lugar para sentar, contato com o verde, oportunidades para contemplação da paisagem e expressão de emoções, além de sugestões de deslocamento, incentivando as pessoas a usarem a passarela ao invés de se lançarem por baixo dela no meio do alto tráfego de veículos, e a usarem todos os seus dispositivos como as escadas e os elevadores.

O resultado está registrado no projeto Passanela, lançado no Catarse durante a feira do Festival CoCidade, para financiamento coletivo da intervenção que já prototipamos e testamos para enfim ativarmos aquela passarela, oferecendo às pessoas uma melhor experiência naquele espaço urbano. Com o objetivo de inspirar e apoiar a ativação de todas as passarelas do país, uma das recompensas oferecidas a quem apoiar o projeto no Catarse, é um guia com o passo-a-passo que percorremos na oficina e uma consultoria com um dos participantes.

Se você acredita no poder que nós pessoas temos de transformar nossas cidades a nosso favor, visite nosso projeto, apoie, leve essa ideia para seus amigos e para a passarela mais próxima de você. Nossa campanha fica no ar no Catarse até o dia 18/10/14.

Segundo o PPS – Project for Public Spaces, principal organização para a difusão desse conceito, Placemaking é, como o nome sugere, a criação de ‘lugares’. A ideia é, a partir dos desejos e da criatividade da própria comunidade, transformar um espaço em um lugar e fazer dele o coração da comunidade.

O PPS foi criado a partir do trabalho coordenado pelo urbanista William Whyte que estudou na década de 80 o comportamento das pessoas pelos espaços públicos, especialmente em cidades norte americanas. A partir daí foi desenvolvido todo um arcabouço técnico e teórico para a criação de espaços públicos voltados para e a partir das necessidades humanas. Nós já falamos dos instrumentos do PPS aqui. Atualmente o PPS trabalha em projetos e consultorias em cidades do mundo inteiro, inclusive em Brasília, estigma do planejamento urbano de prancheta.

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No começo de setembro passado, a Sobreurbana esteve na Conferência Internacional Future of Places – Streets as Public Spaces and Drivers of Urban Prosperity, que aconteceu em Buenos Aires. Esta foi a segunda de uma série de três conferências propostas pelo PPS em parceria com a UN Habitat e financiado pela Ax:son Johnson Foundation, que vão subsidiar as reuniões preparatórias para a formulação da agenda mundial pós-2015 para o Desenvolvimento Sustentável, bem como a próxima reunião da Habitat III. O objetivo geral dessas conferências é defender na agenda mundial a importância do espaço público e do placemaking dentro do planejamento urbano.

Em meio a cerca de 300 pessoas de mais de 40 países dos cinco continentes, e ao lado de nomes como Fred Kent, fundador do PPS, e de David Sim, diretor criativo do Gehl Architects, a Sobreurbana apresentou em Buenos Aires sua experiência em Goiânia com a realização dos Jane’s Walks. A conferência reuniu um conteúdo muito rico quanto a produção acadêmica mas principalmente quanto a realizações de pessoas, organizações, empresas e governos que estão agindo pela ativação das ruas e outros espaços públicos com foco nas pessoas.

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Influenciados pela forte presença de brasileiros na conferência, foi decretada a criação do Conselho Brasileiro de Placemaking, que se reunirá pela primeira vez já na próxima segunda-feira dia  06/10/14 em São Paulo. Esperamos com este Conselho conseguir inserir na agenda política brasileira a necessidade de voltarmos o planejamento urbano para as reais demandas das comunidades, com um planejamento e um desenho voltados para as pessoas, que busque o protagonismo e o empoderamento da população, na busca de um ambiente urbano melhor para vivermos nesta e nas futuras gerações.

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Encerrando a participação de Goiânia no Festival Jane’s Walk 2014, a Hábil Produção conduziu um passeio pelas áreas verdes do Setor Sul, dando início a seu projeto de mapeamento da arte urbana em Goiânia, o MUdA.

A proposta foi discutir sobre ocupação e apropriação dos espaços públicos da cidade, tendo a arte como um agente de transformação na relação entre as pessoas e os ambientes urbanos. O passeio partiu do Bacião e percorreu várias áreas emblemáticas como o Bosque dos Pássaros, instituído pelos moradores do entorno como área de preservação ambiental.

 

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O St. Sul compõe o Plano Inicial de Goiânia, tendo sido concebido segundo a proposta de cidade-jardim. Sua malha é formada por uma rede de áreas verdes projetadas para ser a alma do bairro: seria possível atravessar todo o St. Sul percorrendo somente essas áreas verdes. Seria, mas o resultado foi um tanto desastroso. As pessoas que vieram ocupar o bairro construíram suas casas de costas para essas áreas e de frente para as vielas, projetadas para serem somente acessos de serviço às residências. Essa forma de implantação das edificações desvirtuou a proposta para o bairro, na medida em que as áreas verdes resultaram em espaços residuais, nunca de fato apropriadas pelos moradores.

Entre as décadas de 70 e 80, o governo federal implantou no bairro o Projeto CURA – Comunidade Urbana para Recuperação Acelerada, com a proposta de instalar equipamentos urbanos em suas áreas verdes, que já existiam a mais de 20 anos sem bancos, iluminação, passeios etc. O projeto nunca chegou a ser finalizado e, com poucas exceções, enfrentou duras reações dos moradores locais. Eles achavam que os novos equipamentos atraiam moradores dos bairros pobres vizinhos (como o Setor Pedro Ludovico), e que as atividades lhes tiravam o sossego.

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Essas áreas, de localização central na cidade e que são, provavelmente, uma das maiores proporções de áreas públicas em um bairro, no mundo, estão sucateadas, cheias de mato, lixo e, recentemente, invadidas pela arte urbana, de alta qualidade. É incrível o potencial dessas áreas, altamente arborizadas, com ótima vocação para mobilidade não motorizada e para a prática de esportes e lazer. Mais incrível ainda é o fato de que muitos moradores locais que tanto se apavoram com a invasão dos ‘indesejáveis’, sequer conhecem e desfrutam desse tesouro.

Foi o que captamos durante as discussões e depois com o questionário aplicado no passeio pela Sobreurbana. Perguntados sobre de que forma a experiência do Jane’s Walk alterou a relação dos participantes com a área visitada, a maior parte das respostas continha as palavras descoberta e conhecimento. Por unanimidade reconheceram a arte urbana do local com potencial para uma galeria aberta que Goiânia ainda não possui, assim como registraram a necessidade de promover intervenções nessas áreas. Essa necessidade de intervenção apela por maiores cuidados, mobiliário urbano, iluminação e políticas culturais, de ocupação e para a convivência social.

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Já começando uma forma de ocupação dessas áreas através de sua apropriação cultural, o projeto MUdA iniciou durante o passeio o mapeamento da arte urbana local, através do registro fotográfico e de localização das obras. O projeto também prevê outras ações de ocupação neste bairro e noutros pontos da cidade. Assim esperamos que o MUdA e o Jane’s Walk contribuam positivamente para as discussões que pretendem devolver às pessoas espaços urbanos de qualidade para a interação social.

Veja aqui mais fotos do passeio!

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O segundo passeio do Festival Jane’s Walk 2014 em Goiânia aconteceu no dia 03/05 e foi conduzido pelo murAU de Ideias. O local escolhido foi o Setor Pedro Ludovico, especialmente no entorno do Jardim Botânico. A região é hoje alvo de um projeto em elaboração por empresas imobiliárias da cidade, apresentado à prefeitura nos moldes de uma Operação Urbana Consorciada. A proposta é adensar e verticalizar a região do entorno do maior parque urbano de Goiânia, o que ameaça a sua preservação ambiental, e num de seus mais tradicionais bairros, podendo alterar radicalmente a sua dinâmica de vizinhança.

Partindo do cruzamento entre a Av. 4ª Radial e a Av. Circular, o passeio contou com a participação de moradores locais e de pessoas de outras partes da cidade, interessados na possibilidade de discutir sobre os rumos de Goiânia. Alguns dos participantes nunca tinham ido ao Jd. Botânico e não tinham ideia da vitalidade do St. Pedro.

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O bairro foi o último construído pelo estado, aquando da implantação da cidade. Na época, a região era marginalizada e atraiu famílias humildes, das quais muitas permanecem no bairro até hoje. Com o crescimento da cidade, o bairro tornou-se central e firmou-se na malha urbana em situações muito diversas entre si: a parte mais perto do Areião pediu sua emancipação como St. Marista, porque não queria estar associada ao ‘povo da macambira’. A parte mais próxima ao Jd. Botânico possui famílias vivendo em situações de risco habitacional e social.

Apesar de seu traçado urbano interessante, formado por várias alamedas arborizadas e implantado entre dois importantes parques (o Jd. Botânico e o Parque Areião), o St. Pedro foi historicamente esquecido pelas gestões municipais da cidade e o Jd. Botânico quase sempre esteve sucateado. Não por acaso a bondade das empresas imobiliárias da cidade agora foi revelada através de um ‘plano de salvação’ para o bairro. O projeto ainda não foi apresentado para a sociedade mas, se seguir a lógica vigente de produção do espaço urbano em Goiânia, podemos prever a construção de altas torres residenciais para a classe média alta, que vão drenar o lençol freático do Córrego Botafogo (com uma de suas nascentes no Jd. Botânico), e expulsar a população tradicional do bairro que não conseguirá suportar o ‘desenvolvimento’ local.

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Diante disso, discutimos durante o passeio sobre o tipo de bairro que queremos, contribuindo para o fortalecimento do envolvimento comunitário nesse assunto de tamanha importância para a cidade e, principalmente, para os moradores daquela região.

Do questionário aplicado pela Sobreurbana, tiramos conclusões interessantes. Perguntados sobre o que lhes vem à mente quando pensam naquele bairro, as respostas trouxeram as palavras comunidade, tradição, lar e a percepção de que o bairro é um dos últimos ainda não destruídos pela especulação imobiliária. Sobre a forma como a experiência do Jane’s Walk interferiu na relação dos participantes com a área visitada, as respostas registraram a urgência de defender o bairro. Todos responderam pela necessidade de promover intervenções no St. Pedro, mas não pelo adensamento ou verticalização como propõem as empresas imobiliárias, mas por infraestrutura urbana básica, como calçadas, limpeza, iluminação.

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O bom desenvolvimento urbano respeita as necessidades das pessoas, antes das necessidades das empresas. Na última segunda-feira, dia 19/05, aconteceu um seminário sobre Operação Urbana Consorciada, onde ficou claro para os presentes que não existe nenhum plano da prefeitura em favor do bem-estar coletivo. A proposta atende unicamente a uma oportunidade de mercado enxergada pelas empresas que detém o capital econômico na produção da cidade. Mas também ficou claro neste evento e no Jane’s Walk que a população está atenta e sabe o tipo de ambiente que quer para morar. Que a cidade saiba tomar a melhor decisão!

Veja aqui mais fotos do passeio!

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Foto: Design da Cidade

Abrindo o Festival Jane’s Walk 2014 em Goiânia, o Design da Cidade conduziu-nos por uma verdadeira Caça ao Córrego Buriti. A proposta foi discutir a forma como nós lidamos com a água dentro das cidades. O Córrego Buriti está há décadas completamente enterrado, assim como outros cursos d’água de Goiânia. São oportunidades perdidas na cidade para integração com a natureza, espaços de lazer e contemplação, garantia da qualidade ambiental.

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Assim, no dia 02/05, partimos da frente do Clube dos Oficiais, no St. Marista, na tentativa de resgatar o percurso original do córrego. O local de partida não foi escolhido por acaso: o clube guarda um pequeno lago que protege a nascente do Córrego Buriti. Uma grata surpresa a todos os participantes: um verdadeiro oásis, com buritis remanescentes da vegetação nativa e uma mata criada pelo reflorestamento promovido pelo clube.

Durante a visita ao lago, o Sargento Gonçalves falou sobre as dificuldades do clube em manter aquele tesouro, especialmente depois da construção de uma torre residencial a poucos metros dali. Para a construção do prédio e seus subsolos com estacionamentos, foi ‘necessário’ o rebaixamento do lençol freático. Como conseqüência, o nível d’água do lago também foi rebaixado, passando a depender do bombeamento dessa água de volta para a região da nascente, através de bombas que ficam sob a guarda do condomínio do prédio.

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O mais triste dessa história é que isso não é um fato isolado. Acontece o mesmo em todas as regiões de verticalização no entorno de cursos d’água. Quanto mais alta a construção em direção ao céu, mais profunda a sua fundação. Quanto mais dependente de automóveis é a nossa sociedade, maior a necessidade de áreas para estacionamento, nesses casos, sempre em subsolos. Em Goiânia esse desastre ambiental também está deflagrado no Parque Vaca Brava, no Parque Flamboyant, no Parque Cascavel e agora ameaça o Jardim Botânico. Isso é comum mas não é justo, portanto é fundamental que a cidade discuta sobre isso: que desenvolvimento é esse que traz consigo a destruição ambiental do nosso habitat?

Historicamente as cidades sempre tiveram uma ligação íntima com a água: cidades espontâneas nascem ao longo de cursos d’água para terem esse suprimento garantido. E mesmo sendo ‘modernos’ nós ainda mantemos uma forte identificação com a água. Nossa perspectiva de lazer e descanso quase sempre envolve esse elemento natural. Por que as cidades estão nos privando disso?

Fora esse impacto cultural, tem o impacto na infraestrutura urbana. O córrego buriti foi enterrado pra dar espaço para a ‘urbanização’. Daí, essa área então urbanizada passa a sofrer eternamente com enchentes porque há ruas e prédios onde deveria haver o curso d’água e mata ciliar para suportar o escoamento das águas das chuvas. Você enterra um córrego mas não modifica a topografia da bacia. Toda a chuva que cai em boa parte do St. Marista, Oeste e Sul escoam naturalmente para a ‘calha’ do Buriti. É um desastre. Enterrado, o Córrego Buriti está longe dos nossos olhos, mas continua compondo a estrutura ambiental e abastecendo a bacia do Meia Ponte. E se ele secar? Perdemos mais um bocado de um de nossos mais valiosos tesouros que é a água.

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Foto: Design da Cidade

Durante o passeio, o Design da Cidade colou adesivos marcando o percurso original do córrego. Quem passar pela região poderá percebê-los na grelha da Rua 87 junto à Av. Cora Coralina, no muro do Externato São José, no interior do prédio do Tribunal de Justiça, até a água vir à superfície novamente no Bosque dos Buritis, onde encerramos o passeio naquele dia. É de ressaltar a incidência de construções emblemáticas que dependeram da canalização do córrego. Além das já citadas, também foram construídos sobre o Córrego Buriti: o prédio do Ateneu Dom Bosco, o estacionamento nos fundos do Joquei Clube (que até poucos anos atrás continha um pequeno bosque onde a água aflorava), o Centro de Convenções e outros menores até a canalização desaguar no Córrego Capim Puba, atrás da Av. Independência.

No final do passeio, a Sobreurbana aplicou um pequeno questionário aos participantes, que revelaram disponibilidade de participar de outro passeio, onde houver. Disseram que o Jane’s Walk mudou a relação deles com a área visitada, ao revelar as questões discutidas sobre o córrego, que alguns nem sabiam que estava enterrado, e que portanto ficarão mais atentos, sabendo que há vida embaixo da cidade. Perguntados sobre a necessidade de promover alguma mudança na área visitada, as respostas foram unânimes: sim! Sim, pela indicação do que está enterrado, pela revitalização, preservação e disponibilização do nosso tesouro.

Além do prazer de caminhar pela cidade e da importância de confrontar as pessoas com os problemas urbanos causados pela nossa sociedade, a experiência da Caça ao Córrego Buriti nos deixa a possibilidade de aprender com a triste história do córrego que a natureza jamais se deixará ser domada: nós é que somos moldados conforme o ambiente que habitamos e modificamos.

Veja aqui mais fotos do passeio.

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A cidade é mais do que um mero espaço físico onde vive um conjunto de pessoas. Ela é também um espaço de convivência, que abriga, acolhe e potencia as relações sociais. É para as pessoas, para as suas interrelações, que a cidade deve ser pensada. A valorização do pedestre assume assim um papel fulcral, pois é no seu tempo, e não no do carro, que essas relações acontecem genuinamente. A cidade que é amigável com o pedestre é uma cidade que convida para a urbanidade, que suporta e ativa a vida social e a vida pública. E a vida pública, que se desenrola nas praças e nas calçadas, é o que nos garante a segurança emocional que viemos buscar quando construímos cidades para viver em comunidade.

O Jane’s Walk é uma proposta que busca fortalecer comunidades, o sentimento de pertencimento e encorajar o engajamento cívico nas causas urbanas, através da vivência das ruas da cidade. Criado em Toronto sob a inspiração das idéias de Jane Jacobs, a instituição promove desde 2007 passeios comunitários a pé, organizados voluntariamente, para levar as pessoas a explorar e conhecer melhor o bairro e a cidade onde vivem. Durante o Festival Anual Jane’s Walk, que decorreu este ano entre 2 e 4 de Maio, mais de 1000 passeios aconteceram no mundo inteiro. No Brasil, participaram as cidades de Goiânia e Curitiba.

Foto by Júlia Mariano

Foto by Júlia Mariano

O primeiro Jane’s Walk em Goiânia foi promovido em dezembro do ano passado, na Av. Cora Coralina, uma avenida que cortou a direito várias praças e vielas do Setor Sul, desumanizando parte desse bairro histórico. Nesse passeio, os participantes demonstraram grande satisfação com a experiência de viver a cidade a pé, com olhos críticos e conscientes do papel do cidadão na construção da cidade que queremos. Isso incentivou-nos a participar pela primeira vez na edição anual que acontece em simultâneo em todo mundo.

Nesta primeira participação de Goiânia no Festival a Sobreurbana realizou três passeios em parceria com outras organizações locais: o Design da Cidade, que organizou uma Caça ao Córrego Buriti; o murAU de Ideias, que nos levou numa caminhada pelo Setor Pedro Ludovico; e a Hábil Produção, com quem percorremos as áreas verdes do Setor Sul. Foram três passeios incríveis que revelaram uma Goiânia desconhecida para a esmagadora maioria dos participantes.

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A proposta da Sobreurbana com esses passeios envolve, além da experiência de caminhar pela cidade, a discussão de temas urgentes como a apropriação dos espaços públicos e a qualidade desses ambientes, investigada também através de breves questionários aplicados aos participantes.

Acompanhe nos próximos posts mais detalhes sobre os passeios e as discussões geradas em torno de cada um deles. E prepare-se: virão mais passeios porque a cidade precisa de você NAS RUAS.

Ok, você sabe que Goiânia é uma jovem cidade, planejada no século passado para ser a capital do estado, com arquitetura art déco e uma boa quantidade de parques urbanos que emolduram a sua vida ainda pacata. Mas… você sabia, por exemplo, que é possível caminhar por quase todo o Setor Sul atravessando somente suas áreas verdes, generosas em sombras e arte urbana da mais alta qualidade? Sabia que algumas das áreas mais afetadas com as fortes chuvas são leitos de córregos enterrados sob ruas e edifícios emblemáticos da cidade? Sabia que o tradicional Setor Pedro Ludovico foi o último bairro construído pelo estado, quando da construção de Goiânia e que contém o maior parque urbano da cidade, o Jardim Botânico? E sabia que esse tesouro cultural e ambiental está ameaçado pela mais recente investida da especulação imobiliária, que pretende, com o aval da prefeitura, acinzentar a ainda boa qualidade de vida do bairro com a construção de altas torres e entupindo suas ruas de carros? Venha descobrir tudo isso e muito mais nos três passeios que estamos promovendo em Goiânia. São três excelentes oportunidades para o goianiense conhecer melhor sua cidade e entender como, individual e coletivamente, pode contribuir para melhorá-la. Junte-se a nós e venha se perder e se encontrar nas ruas de Goiânia! Programação Festival Jane’s Walk Goiânia 2014 3 de Maio, manhã: junto com o Design da Cidade iremos em busca do Córrego dos Buritis entre os setores Sul, Oeste e Marista. 3 de Maio, tarde: junto com o murAU, iremos discutir o adensamento, verticalização e preservação ambiental no Setor Pedro Ludovico. 4 de Maio, tarde: junto com a Hábil Produção, iremos percorrer os espaços verdes do Setor Sul e discutir sobre arte e ocupação urbana no âmbito de seu projeto MUdA. Observar e viver a cidade a pé, devagar, apreendendo o seus detalhes, é fundamental para entendermos os porquês de tantos problemas que sofremos em nosso dia-a-dia e cuja solução está em nossas mãos – que faltam se unir – ou em nossos olhos – que estão fechados para o que realmente importa – ou em nossa vozes – acostumadas a se calarem diante das verdades impostas para um coletivo que nunca é ouvido durante a construção privada e autoritária da cidade. Jane’s Walk Em 2007 foi criada em Toronto uma organização chamada Jane’s Walk com a proposta de contribuir para a construção de comunidades mais fortes e engajadas e inspirada nas idéias de Jane Jacobs. Jacobs foi uma ativista de grande influência sobre o pensamento urbanístico atual, que na década de 1960 conseguiu, junto com seus vizinhos, evitar a destruição de bairros tradicionais da cidade de Nova Iorque, onde vivia. Ela conseguiu isso incutindo nas pessoas a perspectiva de que as cidades tem que ser feitas para elas, considerando suas necessidades cotidianas e a segurança emocional advinda da rica e pulsante vida pública que se desenrola pelas calçadas. As calçadas precisam ter vida! E as ruas precisam ter olhos voltados para elas. Para isso, as pessoas precisam se apropriar dos espaços públicos da cidade. Assim, a proposta do Jane’s Walk é promover passeios comunitários liderados por voluntários que desejam revelar os bairros onde vivem, redescobrindo suas cidades e aproximando as pessoas entre elas e em torno da vida urbana, fundamental para a qualidade de vida das cidades. Anualmente, a organização promove o Jane’s Walk Festival, sempre no início do mês de maio, quando seria o aniversário de Jacobs, falecida em 2006. Na mesma data, milhares de pessoas ocupam as ruas de centenas de cidades pelo mundo para celebrarem a vida em comunidade, discutirem sobre os problemas e riquezas de suas cidades, e se redescobrirem nelas. Esta será a segunda vez que a Sobreurbana organiza um Jane’s Walk em Goiânia. O primeiro passeio aconteceu em dezembro do ano passado, na Av. Cora Coralina, Setor Sul, onde se discutiu a qualidade daquele ambiente urbano. _JMF5045

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Before I Die é um projeto de arte global que nos convida a refletir sobre nossas vidas e a compartilhar nossas aspirações pessoais num espaço público. O projeto foi iniciado por Candy Chang nas paredes de uma casa abandonada em New Orleans. Após a morte de um ente querido, a artista Candy Chang passou um longo período de luto e depressão profunda. A ideia da morte alterou-lhe por completo suas perspectivas do que realmente importava e desejou criar um mural que a lembrasse disso todos os dias, e queria também saber o que seus vizinhos e amigos desejavam da vida. Obteve permissão para pintar o exterior de uma casa abandonada no seu bairro e cobriu-a com tinta de quadro negro. De seguida escreveu repetidamente “Antes de morrer eu quero _______.” e deixou giz para quem quisesse completar a frase. No dia seguinte a parede já se encontrava totalmente preenchida. Publicou algumas fotos nas redes sociais e de imediato recebeu centenas de pedidos de pessoas que queriam reproduzir o projeto nas suas comunidades. Desde então, Before I die já foi apresentado em 30 idiomas e em mais de 65 países, incluindo várias cidades do Brasil.

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A ideia de trazer este projeto pela primeira vez para Goiânia surgiu após um convite do jovem artista Marcelo Dakí para fazermos uma proposta de ocupação artística que ampliasse as vivências dos visitantes da sua exposição Legião. Com a permissão do Museu de Arte de Goiânia, afixamos dois painéis gigantes em duas paredes pichadas junto à entrada principal do Palácio da Cultura. O resultado foi surpreendente e imediato, apresentando uma enorme adesão por parte de muita gente, independentemente da idade ou classe social. Sem qualquer tipo de censura, sem depredação, estas paredes que são constantemente fotografadas e limpas assim que ficam preenchidas, ecoam toda uma multiplicidade de sentimentos, desejos, ódios e reflexões que caracterizam os frequentadores daquele espaço público.

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Quando os cidadãos se mobilizam, fazem a diferença. Foi o que aconteceu com o túnel pedonal de Alcântara, em Lisboa: uma passagem subterrânea que dá acesso à estação ferroviária de Alcântara-Mar e à zona das docas, que era suja, isolada e perigosa, muitas vezes evitada pelos pedestres… e é agora atração turística. A Associação Portuguesa de Arte Urbana é quem se encontra por trás desta intervenção que transformou este não-local numa vitrine das paisagens, monumentos e edifícios emblemáticos da cidade. “É quase uma vista de 360 graus sobre Lisboa”, diz o representante da associação.

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Com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa e patrocínios de cerca de 50 mil reais em tintas e spray, a Associação Portuguesa de Arte Urbana contou ainda com a ajuda de mais de 400 voluntários para cobrir as paredes do túnel, incluindo moradores e trabalhadores da zona, e mesmo turistas do Canadá, Alemanha, França e Brasil. A autarquia, por seu lado, renovou a iluminação no local, resolveu os problemas ao nível do escoamento de águas pluviais, para travar as infiltrações e prepara o próximo passo, que inclui a melhoria das acessibilidades e instalação de um café com palco para espetáculos.

Confira aqui a reportagem televisiva.