Geralmente, quando se fala em ecologia, o que primeiro vem à mente é a natureza virgem e a necessidade de preservá-la. Mas, na realidade, o termo se refere à relação entre os seres vivos e o meio em que habitam. Portanto, abrange também as cidades, que são o ambiente construído pelo homem para ser seu habitat, moldado às suas necessidades. Ainda de forma simplista, quando se fala em ecologia urbana a tendência é discutir somente sobre como inserir a natureza na cidade, ou sobre como melhor inserir a cidade na natureza.

A proposta da 1ª Semana da Ecologia Urbana de Goiânia, que será realizada de 25 a 30 de novembro, é de abordar a cidade como o sistema vivo e complexo que é – um amálgama de natureza e artificialidade. O objetivo do evento é propor que se aprenda com o ecossistema em que a cidade está inserida, e se entenda como se tira proveito dos “serviços” que ele oferece.

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No século atual, a humanidade atingirá o pico da urbanização do planeta. Em 2050, já seremos 6 bilhões de seres humanos, dos quais 66% viverão em cidades. O relatório Perspectivas Globais de Urbanização, lançado pela ONU em julho deste ano, aponta que nossa capacidade de construir cidades sustentáveis terá um papel fundamental na garantia de um desenvolvimento mundial com mais justiça, igualdade e prosperidade. Reduzir o impacto que as aglomerações humanas provocam no planeta é uma meta urgente para garantirmos nossa permanência nele.

Isso não significa nos dispersarmos e retornarmos ao campo, ainda que esta seja uma opção para muitos. Significa, principalmente, nesse processo irreversível de urbanização, aprendermos a construir impactos positivos no ambiente em que interferimos, seja ele natural ou artificial.

Goiânia é uma cidade com oportunidades reais para esse desenvolvimento sustentável. Cidade planejada e construída sobre o sertão do cerrado há menos de um século, desde sua concepção incorporou conceitos importantes da ecologia urbana em benefício de seus moradores: inserção respeitosa à topografia; vasta rede de parques urbanos; arborização relevante; presença, mesmo que tímida, de corpos d’água dentro do perímetro urbano.

Todos esses são fatores que facilitam à cidade de Goiânia atingir a necessária resiliência frente às mudanças climáticas, a escassez de recursos e o alto índice de urbanização, que já são todos uma realidade com a qual precisamos saber lidar. Também são oportunidades para a cidade tirar proveito dos serviços ecossistêmicos de seu ambiente, como por exemplo: utilizar a arborização como forma de garantir a qualidade do ar e de amenizar os efeitos das ilhas de calor; drenar mais facilmente a água da chuva e devolvê-la ao lençol freático aproveitando a topografia favorável; formar corredores verdes com a trama de parques, a fim de manter a biodiversidade da fauna e da flora junto aos assentamentos humanos; garantir temperaturas mais amenas no interior das construções com soluções paisagísticas, a fim de reduzir a necessidade do ar condicionado; e tantas outras vantagens que a harmonia entre o ambiente construído e a natureza podem nos trazer.

(Artigo publicado originalmente em O Popular, em 16/11/14).