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Encerrando a participação de Goiânia no Festival Jane’s Walk 2014, a Hábil Produção conduziu um passeio pelas áreas verdes do Setor Sul, dando início a seu projeto de mapeamento da arte urbana em Goiânia, o MUdA.

A proposta foi discutir sobre ocupação e apropriação dos espaços públicos da cidade, tendo a arte como um agente de transformação na relação entre as pessoas e os ambientes urbanos. O passeio partiu do Bacião e percorreu várias áreas emblemáticas como o Bosque dos Pássaros, instituído pelos moradores do entorno como área de preservação ambiental.

 

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O St. Sul compõe o Plano Inicial de Goiânia, tendo sido concebido segundo a proposta de cidade-jardim. Sua malha é formada por uma rede de áreas verdes projetadas para ser a alma do bairro: seria possível atravessar todo o St. Sul percorrendo somente essas áreas verdes. Seria, mas o resultado foi um tanto desastroso. As pessoas que vieram ocupar o bairro construíram suas casas de costas para essas áreas e de frente para as vielas, projetadas para serem somente acessos de serviço às residências. Essa forma de implantação das edificações desvirtuou a proposta para o bairro, na medida em que as áreas verdes resultaram em espaços residuais, nunca de fato apropriadas pelos moradores.

Entre as décadas de 70 e 80, o governo federal implantou no bairro o Projeto CURA – Comunidade Urbana para Recuperação Acelerada, com a proposta de instalar equipamentos urbanos em suas áreas verdes, que já existiam a mais de 20 anos sem bancos, iluminação, passeios etc. O projeto nunca chegou a ser finalizado e, com poucas exceções, enfrentou duras reações dos moradores locais. Eles achavam que os novos equipamentos atraiam moradores dos bairros pobres vizinhos (como o Setor Pedro Ludovico), e que as atividades lhes tiravam o sossego.

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Essas áreas, de localização central na cidade e que são, provavelmente, uma das maiores proporções de áreas públicas em um bairro, no mundo, estão sucateadas, cheias de mato, lixo e, recentemente, invadidas pela arte urbana, de alta qualidade. É incrível o potencial dessas áreas, altamente arborizadas, com ótima vocação para mobilidade não motorizada e para a prática de esportes e lazer. Mais incrível ainda é o fato de que muitos moradores locais que tanto se apavoram com a invasão dos ‘indesejáveis’, sequer conhecem e desfrutam desse tesouro.

Foi o que captamos durante as discussões e depois com o questionário aplicado no passeio pela Sobreurbana. Perguntados sobre de que forma a experiência do Jane’s Walk alterou a relação dos participantes com a área visitada, a maior parte das respostas continha as palavras descoberta e conhecimento. Por unanimidade reconheceram a arte urbana do local com potencial para uma galeria aberta que Goiânia ainda não possui, assim como registraram a necessidade de promover intervenções nessas áreas. Essa necessidade de intervenção apela por maiores cuidados, mobiliário urbano, iluminação e políticas culturais, de ocupação e para a convivência social.

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Já começando uma forma de ocupação dessas áreas através de sua apropriação cultural, o projeto MUdA iniciou durante o passeio o mapeamento da arte urbana local, através do registro fotográfico e de localização das obras. O projeto também prevê outras ações de ocupação neste bairro e noutros pontos da cidade. Assim esperamos que o MUdA e o Jane’s Walk contribuam positivamente para as discussões que pretendem devolver às pessoas espaços urbanos de qualidade para a interação social.

Veja aqui mais fotos do passeio!