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O segundo passeio do Festival Jane’s Walk 2014 em Goiânia aconteceu no dia 03/05 e foi conduzido pelo murAU de Ideias. O local escolhido foi o Setor Pedro Ludovico, especialmente no entorno do Jardim Botânico. A região é hoje alvo de um projeto em elaboração por empresas imobiliárias da cidade, apresentado à prefeitura nos moldes de uma Operação Urbana Consorciada. A proposta é adensar e verticalizar a região do entorno do maior parque urbano de Goiânia, o que ameaça a sua preservação ambiental, e num de seus mais tradicionais bairros, podendo alterar radicalmente a sua dinâmica de vizinhança.

Partindo do cruzamento entre a Av. 4ª Radial e a Av. Circular, o passeio contou com a participação de moradores locais e de pessoas de outras partes da cidade, interessados na possibilidade de discutir sobre os rumos de Goiânia. Alguns dos participantes nunca tinham ido ao Jd. Botânico e não tinham ideia da vitalidade do St. Pedro.

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O bairro foi o último construído pelo estado, aquando da implantação da cidade. Na época, a região era marginalizada e atraiu famílias humildes, das quais muitas permanecem no bairro até hoje. Com o crescimento da cidade, o bairro tornou-se central e firmou-se na malha urbana em situações muito diversas entre si: a parte mais perto do Areião pediu sua emancipação como St. Marista, porque não queria estar associada ao ‘povo da macambira’. A parte mais próxima ao Jd. Botânico possui famílias vivendo em situações de risco habitacional e social.

Apesar de seu traçado urbano interessante, formado por várias alamedas arborizadas e implantado entre dois importantes parques (o Jd. Botânico e o Parque Areião), o St. Pedro foi historicamente esquecido pelas gestões municipais da cidade e o Jd. Botânico quase sempre esteve sucateado. Não por acaso a bondade das empresas imobiliárias da cidade agora foi revelada através de um ‘plano de salvação’ para o bairro. O projeto ainda não foi apresentado para a sociedade mas, se seguir a lógica vigente de produção do espaço urbano em Goiânia, podemos prever a construção de altas torres residenciais para a classe média alta, que vão drenar o lençol freático do Córrego Botafogo (com uma de suas nascentes no Jd. Botânico), e expulsar a população tradicional do bairro que não conseguirá suportar o ‘desenvolvimento’ local.

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Diante disso, discutimos durante o passeio sobre o tipo de bairro que queremos, contribuindo para o fortalecimento do envolvimento comunitário nesse assunto de tamanha importância para a cidade e, principalmente, para os moradores daquela região.

Do questionário aplicado pela Sobreurbana, tiramos conclusões interessantes. Perguntados sobre o que lhes vem à mente quando pensam naquele bairro, as respostas trouxeram as palavras comunidade, tradição, lar e a percepção de que o bairro é um dos últimos ainda não destruídos pela especulação imobiliária. Sobre a forma como a experiência do Jane’s Walk interferiu na relação dos participantes com a área visitada, as respostas registraram a urgência de defender o bairro. Todos responderam pela necessidade de promover intervenções no St. Pedro, mas não pelo adensamento ou verticalização como propõem as empresas imobiliárias, mas por infraestrutura urbana básica, como calçadas, limpeza, iluminação.

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O bom desenvolvimento urbano respeita as necessidades das pessoas, antes das necessidades das empresas. Na última segunda-feira, dia 19/05, aconteceu um seminário sobre Operação Urbana Consorciada, onde ficou claro para os presentes que não existe nenhum plano da prefeitura em favor do bem-estar coletivo. A proposta atende unicamente a uma oportunidade de mercado enxergada pelas empresas que detém o capital econômico na produção da cidade. Mas também ficou claro neste evento e no Jane’s Walk que a população está atenta e sabe o tipo de ambiente que quer para morar. Que a cidade saiba tomar a melhor decisão!

Veja aqui mais fotos do passeio!