Archives for category: Passeio Livre

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Passeio Livre é um projeto-manifesto em favor da qualificação dos passeios públicos de Goiânia. As calçadas são o palco principal onde decorrem as interações sociais da cidade, no entanto o pedestre é constantemente forçado a usar a estrada devido à existência de obstáculos, buracos, estacionamento selvagem, entre muitos outros abusos, num espaço que deveria ser só seu.

O website do Passeio Livre é um mapa colaborativo onde denunciamos essas situações, que organizamos, para já, em quatro categorias: obstáculos, mau comportamento, buracos e sinalização deficiente.

Já recebemos várias denúncias e queremos continuar a compartilhá-las no nosso mapa. Colabore connosco enviando a(s) sua(s) foto(s), comentário e endereço do local denunciado para info@sobreurbana.com.

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Você já reparou na precariedade dos passeios públicos das ruas por onde anda? Se você circula à pé, não só já reparou como já deve ter sido vítima de alguma situação desfavorável, como calçadas cheias de buraco ou desníveis quase intransponíveis, pra citar só dois exemplos bem comuns.  Além do péssimo estado de conservação das calçadas, muito do desconforto que passamos quando caminhamos pela cidade, tem origem na forma como as pessoas usam os espaços públicos. Em Goiânia parece até que os carros tem ‘carta branca’ pra estacionar em cima das calçadas ou parar em cima das faixas de pedestres.  A precariedade física das calçadas não é responsabilidade só da prefeitura que constrói passeios inadequados e não fiscaliza sua utilização, mas é responsabilidade também dos proprietários dos imóveis que deveriam manter as calçadas à sua porta em condições de uso, com segurança e acessibilidade garantidas. É o que diz a lei: Plano Nacional de Mobilidade Urbana, Plano Diretor, Código de Obras e Edificações… sabiam que Goiânia tem até um Estatuto do Pedestre? Só que na prática, o que vemos é um completo descaso com a necessária qualidade do espaço público, especialmente o espaço situado na transição entre o que é público e o que é privado, como as calçadas. Por motivos históricos que não cabem nesse post, o brasileiro acostumou-se a entender o espaço público como espaço de ninguém, sobre o qual “eu não me preocupo pois é responsabilidade do governo, já que pago tantos impostos”. Precisa aprender que, na verdade, o espaço público é de todo mundo, inclusive meu e seu. Cuidar da calçada à porta de casa é tão importante quanto cuidar da própria casa pois ninguém vive enclausurado, todos desfrutam, de uma forma ou de outra, dos espaços urbanos e públicos da cidade. E o governo precisa assumir o seu papel: não basta só escrever leis, elas tem que ser cumpridas, fiscalizadas. O governo, especificamente o municipal, precisa aprender a gerir a cidade visando o bem estar do cidadão, a função social da cidade, garantir que todas as pessoas possam desfrutar na cidade daquilo que, há milênios atrás, nos motivou a começar a viver em comunidade: a vida social, pública. A qualidade do ambiente urbano é fundamental para garantir que eu possa me reunir com quem, onde e quando eu quiser, e também para que eu consiga me esquivar do que não me interessa.

Preocupada com as péssimas condições de urbanidade que a cidade de Goiânia tem desempenhado, a Sobreurbana traz um projeto-manifesto, lançado no Casa 7 Aberta – o PASSEIO LIVRE, em favor da qualificação dos passeios públicos, que são o principal palco da interação social na cidade. Uma proposta para melhorar a caminhabilidade das calçadas de Goiânia, a fim de melhorar sua urbanidade – questões que já começamos a discutir no Jane’s Walk Goiânia, na Av. Cora Coralina, mês passado. De início, estamos registrando pontos críticos pela cidade para depois transformá-los em oportunidades de reabilitação. E para nós é muito importante fazer isso de forma colaborativa: queremos saber o que você pensa a respeito, o que é que mais te incomoda, se você imagina alguma solução pra algum desses problemas.  Participe conosco e envie para info@sobreurbana.com uma imagem de calçada, passeio, praça… com alguma situação que precisa mudar e escreva como isso poderia ser feito. Vamos compilar todo o material que levantarmos e transformar numa proposta de intervenção, para execução através do poder público ou do setor privado.

O arquiteto dinamarquês Jan Gehl , em seu célebre livro “Cidade para Pessoas”, defende que a vitalidade de uma cidade é atingida por um processo contínuo de construção de ambientes receptivos a pessoas, que por sua vez atraem mais e mais pessoas e assim por diante. Nós concordamos com ele e acreditamos que uma forma de começar a atrair pessoas para os espaços públicos é garantindo-lhes as condições mínimas para circulação e permanência, dando-lhes um PASSEIO LIVRE.

cidade como processo