Archives for category: Eventos

IMG_6495

Jane’s Walk é um movimento global inspirado nas ideias de Jane Jacobs e que promove passeios a pé com o propósito de explorar e descobrir a cidade e fortalecer a comunidade. O Festival Jane’s Walk é realizado anualmente na altura do aniversário de Jane Jacobs e promove centenas de passeios em simultâneo em cidades de todo o mundo. Em 2015, Goiânia participou pela segunda vez consecutiva no Festival Jane’s Walk com dois passeios.

O primeiro passeio do festival foi conduzido pela Carol Farias, da Sobreurbana, no Setor Sul. O Setor Sul é extremamente sedutor pela enorme quantidade de áreas verdes e quase ausência de prédios, apesar da sua grande centralidade na cidade, pelas vielas que constantemente nos surpreendem e pela extraordinária arte urbana que tem invadido seus muros ao longo dos últimos anos. Foi a 3ª vez que conduzimos um passeio por este bairro, sempre explorando percursos diferentes. Dos 7 Jane’s Walks realizados até hoje, este foi o mais popular, com maior adesão e diversidade, contando com mais de 50 participantes, entre eles: um funcionário do alto escalão da Prefeitura de Goiânia, uma mãe com carrinho de bebê, um cego, crianças, jovens, adultos, vários moradores que pegaram no megafone para compartilhar histórias do bairro.

O segundo passeio foi realizado na Vila Nova e conduzido pela arquiteta Gabriela Silveira, ex-moradora do bairro. O Setor Vila Nova é dos bairros mais tradicionais de Goiânia, construído desde o início para abrigar os trabalhadores que vieram para construir a cidade. Apesar da sua importância, pouco se sabe sobre a Vila Nova e de um total de 17 participantes, quase todos entraram pela primeira vez no mercado e no Parque Botafogo.

No final dos passeios, foi consensual, mesmo entre os que moram, trabalham ou circulam diariamente naqueles bairros, que esta experiência mudou a sua relação com a região e a com a cidade. Foi unânime também o interesse em participar de um próximo Jane’s Walk, e entre as várias sugestões para um novo passeio destacou-se, de longe, o Centro. Será este o nosso próximo destino?

10404877_1488863278056973_796709240294348696_n[1]

Semana que vem, dia 24 de Outubro, Goiânia completa 81 anos de ocupação do cerrado. Para comemorar, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás convidou vários criativos, coletivos e descolados para comporem uma agenda de atividades que convidem à ocupação da capital. De 11 de Outubro a 2 de Novembro teremos várias atividades gratuitas, lúdicas, cívicas e deliciosas celebrando a cidade que somos e refletindo sobre a cidade que estamos construindo dia-a-dia.

A Sobreurbana ocupa Goiânia em duas ações:

Uma delas é a Escola de Parklet com o Instituto Mobilidade Verde-IMV, num curso de 17 a 19/10 no espaço mais criativo da cidade, o Coletivo Centopeia.

Mas… Parklet é o que mesmo? É um prolongamento da calçada, como uma mini praça sobre uma ou duas vagas de estacionamento. Uma proposta lançada em São Francisco/ EUA, para discutir sobre uma redistribuição do espaço urbano entre carros e pessoas. Ano passado o IMV fez o primeiro parklet em São Paulo e neste ano já conseguiu que a prefeitura regulamentasse a execução desse mobiliário urbano na cidade, através do Decreto 55.045/2014. Esperamos com essa ação, exercitar nossa imaginação sobre a qualidade dos espaços públicos de Goiânia e abrir o caminho para a construção de parklets aqui no cerrado. Quem quiser se inscrever, envie um e-mail para info@sobreurbana.com informando nome, telefone, idade e profissão/atividade. Mas corra porque são só 24 vagas!

10698696_1489442754665692_1406193608003889819_n[1]

A outra é uma Prototipagem de Intervenção Urbana na Praça Universitária, que a Sobreurbana vai desenvolver no decorrer de todos esses dias. Prototipagem? Sim, e significa exatamente o que o termo quer dizer: experimentação. É uma nova tendência na feitura de espaços públicos, segundo o preconizado pelo placemaking e o urbanismo táctico, na tríade ‘mais leve, mais rápido e mais barato’.  A ideia é experimentar soluções, sendo o experimento já uma proposta de uso imediato, que ao longo do tempo vai sendo legitimada ou não pelas pessoas, para uma posterior intervenção definitiva, se for o caso. Quer um exemplo? A Sobreurbana participou no mês passado da 1º Oficina do Cidades para Pessoas onde prototipamos uma intervenção na Passarela Rebouças, em São Paulo, que resultou no projeto Passanela, lançado no Catarse para financiamento coletivo.

1512403_446465895455720_7818039202593124416_n[1]

Junto à entrada do Palácio da Cultura, na Praça Universitária da capital goiana (parte de cima da praça), temos instalados desde abril dois painéis do projeto Before I Die, os quais substituiremos por uma nova brincadeira que também buscará interação com os transeuntes através da escrita e da leitura. Acompanhe nosso trabalho lá no local ou aqui em nossa página.

Participe e ocupe sua cidade, todos os dias, todas as ruas. Seja a sua cidade!

Segundo o PPS – Project for Public Spaces, principal organização para a difusão desse conceito, Placemaking é, como o nome sugere, a criação de ‘lugares’. A ideia é, a partir dos desejos e da criatividade da própria comunidade, transformar um espaço em um lugar e fazer dele o coração da comunidade.

O PPS foi criado a partir do trabalho coordenado pelo urbanista William Whyte que estudou na década de 80 o comportamento das pessoas pelos espaços públicos, especialmente em cidades norte americanas. A partir daí foi desenvolvido todo um arcabouço técnico e teórico para a criação de espaços públicos voltados para e a partir das necessidades humanas. Nós já falamos dos instrumentos do PPS aqui. Atualmente o PPS trabalha em projetos e consultorias em cidades do mundo inteiro, inclusive em Brasília, estigma do planejamento urbano de prancheta.

PPS

No começo de setembro passado, a Sobreurbana esteve na Conferência Internacional Future of Places – Streets as Public Spaces and Drivers of Urban Prosperity, que aconteceu em Buenos Aires. Esta foi a segunda de uma série de três conferências propostas pelo PPS em parceria com a UN Habitat e financiado pela Ax:son Johnson Foundation, que vão subsidiar as reuniões preparatórias para a formulação da agenda mundial pós-2015 para o Desenvolvimento Sustentável, bem como a próxima reunião da Habitat III. O objetivo geral dessas conferências é defender na agenda mundial a importância do espaço público e do placemaking dentro do planejamento urbano.

Em meio a cerca de 300 pessoas de mais de 40 países dos cinco continentes, e ao lado de nomes como Fred Kent, fundador do PPS, e de David Sim, diretor criativo do Gehl Architects, a Sobreurbana apresentou em Buenos Aires sua experiência em Goiânia com a realização dos Jane’s Walks. A conferência reuniu um conteúdo muito rico quanto a produção acadêmica mas principalmente quanto a realizações de pessoas, organizações, empresas e governos que estão agindo pela ativação das ruas e outros espaços públicos com foco nas pessoas.

IMG_3706

IMG_3708

 

10658574_498310440271265_8165257948030511970_o

Influenciados pela forte presença de brasileiros na conferência, foi decretada a criação do Conselho Brasileiro de Placemaking, que se reunirá pela primeira vez já na próxima segunda-feira dia  06/10/14 em São Paulo. Esperamos com este Conselho conseguir inserir na agenda política brasileira a necessidade de voltarmos o planejamento urbano para as reais demandas das comunidades, com um planejamento e um desenho voltados para as pessoas, que busque o protagonismo e o empoderamento da população, na busca de um ambiente urbano melhor para vivermos nesta e nas futuras gerações.

A primeira edição do Casa 7 Aberta foi tão bacana que já estamos chamando de primeira edição: queremos mais!

Adoramos receber os amigos, parceiros e desconhecidos em nossa casa, falar de nossas ideias malucas (porém todas muito bem intencionadas!), ouvir sugestões, críticas, músicas, poesias, gritos de crianças e de gente alegre, muito alegre.

Nosso Jane’s Walk foi um sucesso! O passeio durou cerca de uma hora, percorremos toda a Av. Cora Coralina, numa deliciosa tarde de sol e de engajamento cívico. Ainda fomos agraciados pela coincidência de nossa rota combinar com a do Pedal Outdoor, ocupando a avenida com pedestres e ciclistas. Em breve postaremos o resultado do questionário aplicado aos participantes do Jane’s Walk, com sugestões para um novo passeio.

O Casa 7 Aberta contou com a parceria de pessoas muito queridas, que não podem ficar sem nossos mais sinceros agradecimentos: Marcelo Dakí que coloriu de inventividades nossa parede (exposição aberta, galera, venham conferir); Áureo Rosa que acrescentou poesia e goianidade colando seus lambes pela Av. Cora Coralina; Letra Livre que nos encheu de poesia e música; Café Português que deixou todo mundo querendo mais de seus deliciosos pasteizinhos de Belém; Alex Cunha que embebedou todo mundo com uns bons drinks; Lyzza Cássia com a produção de palco, som e luz; Júlia Mariano com o registro fotográfico; Sophia Pinheiro com uma ilustração linda pra nosso cartaz; Michele Mariano com musiquetes; murAU com sua participação fundamental no Jane’s Walk; Lucas Ribeiro, Fabiana Nunes e outros amigos que vão me perdoar por eu não ter citado aqui mas que sabem da nossa gratidão e amizade. E claro, a todos que vieram dividir conosco essa linda tarde noitinha que deixou muita saudade 🙂

E que venham mais parcerias e ideias loucas de transformação. A cidade é nossa!!! E nossa casa continua sempre aberta para quem nos quiser visitar.

 

casa7

Nossa busca para achar sede para a Sobreurbana não foi fácil. Passamos meses consultando anúncios em jornais e na internet e visitamos dezenas de casas. Apaixonamo-nos por algumas, mas nunca foi aquele amor correspondido: ou se faziam muito caras ou ficavam com o primeiro interessado que aparecesse. Mas sabíamos que nunca era exatamente o que procurávamos, algo que também não sabíamos exatamente o que era. E como numa qualquer história de amor, quando menos esperávamos, quando não a procuravamos, a Casa 7 foi-nos apresentada.

Casa 7 é um espaço profissional compartilhado por um pequeno grupo de empresas, entidades e iniciativas que trabalham temas relacionados com eventos, cultura, urbanismo e ação social. Localizada numa zona bem central de Goiânia, oferece um ambiente de trabalho informal e descontraído. O seu interior é repleto de pequenos tesouros: câmaras fotográficas antigas, projetores Super 8, rádios, telefones, vitrolas do século passado. Tudo lá dentro, das pessoas aos objetos, inspira!

No dia 7 de Dezembro, em conjunto com os outros residentes, organizamos a primeira Casa 7 Aberta para que você possa conhecer nosso espaço e fazer parte dele com suas ideias, sua disposição e sua vontade de mudar o mundo.

Confira aqui nossa programação e confirme sua presença!

No último fim de semana aconteceu em Goiânia o “Congresso Nacional Cidade e Sustentabilidade” que promoveu a discussão “A Goiânia que Queremos”. Realizado no Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás, o evento decorreu de uma parceria entre esta instituição e a Secretaria Municipal de Cultura e marcou as comemorações do aniversário do Batismo Cultural da cidade, que completará em outubro 80 anos de existência.

O evento contou com várias interessantes e motivantes palestras, a primeira delas proferida pelo jornalista Gilberto Dimenstein que explorou o tema ‘Diversidade Cultural’. Apresentando uma série de intervenções urbanas realizadas na Vila Madalena, em São Paulo, possibilitadas pelo envolvimento da comunidade local, o jornalista ressaltou a importância da diversidade cultural para o surgimento de ambientes criativos. Sugeriu que Goiânia pensasse em seus ‘desperdícios urbanos’ para então buscar unir os pontos da cidade, atraindo as pessoas a ocuparem esses espaços. “Você mede a cidadania de uma cidade pela largura de suas calçadas”, defendeu. Ao final apresentou seu Blog Catraca Livre que há anos divulga eventos e espaços em São Paulo que podem ser usufruídos de graça, e ofereceu à prefeitura de Goiânia a criação de uma plataforma similar sobre a capital goiana. Na segunda palestra do dia, o arquiteto Roberto Montezuma apresentou um estudo desenvolvido para o planejamento ambiental da cidade de Recife, intitulado Árvore da Água, numa proposta inovadora de integração radical entre projetos.

O dia seguinte começou com a fala do jornalista Washington Novaes com o tema “A Cidade Hoje”, explorando os problemas advindos da expansão indiscriminada da cidade sobre infraestruturas deficientes. No momento do debate a professora Ana Guiomar ressaltou que não são nada exploradas em nossa cidade suas dimensões ética e estética: faltam-nos estratégias que tragam às pessoas o prazer de viver a cidade e a administração municipal não se ocupa em preparar cidadãos. O arquiteto Érico Naves Rosa complementou com a necessidade de pensarmos o local, de promovermos além do macro o micro planejamento urbano. Em seguida a professora e arquiteta Marta Romero fez uma interessante apresentação sobre sustentabilidade no contexto urbano, defendendo que qualquer ideia de sustentabilidade deve provar sua operacionalidade. Apresentou a triste constatação de que a degradação urbana geralmente decorre de lacunas na caracterização da demanda e de imperícias técnicas na solução dos problemas e insistiu que a sociedade já possui o conhecimento técnico para fazermos a diferença, falta-nos agora a vontade política. Sobre mobilidade, dentre outros pontos ela defendeu que “Estacionamento não é um direito adquirido, é um problema privado” e reforçou que o consumo de energia nas cidades está diretamente relacionado com a morfologia urbana.

O evento foi encerrado no terceiro dia com a fala da economista Ana Carla Fonseca sobre “Cidades Criativas” como uma proposta de transformação urbana. Tentando contribuir com o contexto local convidou a plateia a pensar no quê que Goiânia tem de singular que pode fazer com que pessoas de outros lugares venham conhecê-la. Com um discurso muito próximo da primeira fala do evento, a do jornalista Gilberto Dimenstein, e muito aderente aos estudos do professor americano Richard Florida, defendeu como base de uma cidade criativa suas inovações, conexões e diversidade cultural.

Ainda que esta última palestra tenha acontecido com a casa cheia o evento foi criticado pelo público reduzido que recebeu nos outros dias, quando estiveram presentes poucos representantes de movimentos sociais e não se percebeu a presença dos legisladores municipais, atores fundamentais para as transformações urbanas que queremos. Apesar disso, foram registrados dois legítimos protestos no espaço do evento: um promovido pela Associação Verde Vale sobre as recentes alterações no Plano Diretor municipal e outro promovido por estudantes sobre a recente demolição de casas históricas no centro da cidade.

a goiania que queremos

Protesto contra a demolição da “Casa da Rua 20” marca congresso e exige providências da Prefeitura sobre o patrimônio edificado da cidade.

Como público presente, arquiteta e sobretudo como cidadã comprometida com a cidade em que resido, penso que temos que ocupar esses espaços de discussão sobre a cidade, para nos fazermos ouvidos, para resgatarmos uma cidadania aparentemente perdida por entre as vias públicas cheias de sujeira, pela poluição visual dos letreiros comerciais e pelo patrimônio edificado degradado que formam a paisagem da nossa cidade. A Goiânia que quero é uma cidade criativa e sustentável, que orgulha-se da sua diversidade cultural, da sua juventude, que preza pelo direito de desfrutarmos de todo o território, que fortalece as relações humanas, que respeita o ambiente, que permite que as pessoas interajam propositivamente com a cidade, construindo-a de baixo para cima.

E você, o que espera para Goiânia?