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As cidades podem continuar a crescer de forma caótica, desrespeitando as necessidades das pessoas e ignorando as consequências ambientais, ou podem adotar um processo de desenvolvimento sustentável que permita fortalecer comunidades, melhorar a qualidade de vida e construir vizinhanças mais prósperas e seguras.

Foi esta reflexão que levou à criação do fórum Future of Places, numa parceria entre a UN Habitat e o PPS – Project for Public Spaces, que foi materializada em 3 conferências internacionais (2013, 2014, 2015) e um conjunto de seminários, exposições e publicações.

O objetivo deste fórum é de reunir um conjunto de estudos e boas práticas para apresentar no Habitat III – a terceira Conferência das Nações Unidas sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável que irá acontecer em Quito em Outubro de 2016 – e reforçar a importância dos espaços públicos e do placemaking no planejamento urbano.

Bons espaços públicos são essenciais para se ter uma cidade próspera. Espaços bem desenhados e planejados contribuem para a economia local, para a saúde, segurança, ambiente, integração e conectividade.

Bons espaços públicos promovem a economia

Bons espaços públicos podem ter um impacto significativo na vida econômica de grandes e pequenos centros urbanos e fazem parte de qualquer estratégia bem sucedida de recuperação de um bairro ou de uma cidade. A qualidade das ruas, dos jardins, das praças, dos parques e de outros espaços públicos são uma importante ferramenta de marketing para atrair investimento e valorizar a terra.

Bons espaços públicos promovem a coesão social

Bons espaços públicos potenciam a interação social e cultural e promovem uma sensação de pertença pela comunidade. Ao serem abertos para a todos os grupos socioeconômicos, independentemente da etnia, idade e gênero, os espaços públicos promovem a democracia, a inclusão social e o combate à discriminação.

Bons espaços públicos promovem a segurança

Bons espaços públicos promovem um uso constante, por diferentes públicos, ao longo do dia. Ruas e jardins movimentados aumentam a sensação de segurança e atraem mais pessoas. Pelo contrário, espaços ociosos e abandonados atraem a marginalidade.

Bons espaços públicos promovem a saúde pública

Bons espaços públicos contribuem para a saúde física e mental. Estes espaços proporcionam boas condições para caminhadas ou exercício físico, para brincar, descansar ou apreciar o lugar. No caso dos espaços verdes, é ainda promovido o contato com a natureza, com todos os seus benefícios.

Bons espaços públicos promovem a mobilidade

Bons espaços públicos podem contribuir para reduzir congestionamentos, tempo de viagem e acidentes, se forem planejados para diferentes modos de transporte e priorizarem rotas caminháveis e cicláveis. Os espaços públicos não são apenas um local para onde se vai, mas também um local por onde se transita. É importante que tenham em conta todos os modos de transporte e ofereça às pessoas a opção de escolha.

Bons espaços públicos melhoram o ambiente

Espaços públicos podem contribuir para a redução de emissões de carbono ao promover modos de transporte a pé e não motorizados, ou ao encorajar o uso de transportes coletivos. Espaços verdes contribuem ainda para a redução da temperatura, purificação do ar e das águas da chuva, preservação de biodiversidade e agindo como sistema de drenagem das águas pluviais.

Geralmente, quando se fala em ecologia, o que primeiro vem à mente é a natureza virgem e a necessidade de preservá-la. Mas, na realidade, o termo se refere à relação entre os seres vivos e o meio em que habitam. Portanto, abrange também as cidades, que são o ambiente construído pelo homem para ser seu habitat, moldado às suas necessidades. Ainda de forma simplista, quando se fala em ecologia urbana a tendência é discutir somente sobre como inserir a natureza na cidade, ou sobre como melhor inserir a cidade na natureza.

A proposta da 1ª Semana da Ecologia Urbana de Goiânia, que será realizada de 25 a 30 de novembro, é de abordar a cidade como o sistema vivo e complexo que é – um amálgama de natureza e artificialidade. O objetivo do evento é propor que se aprenda com o ecossistema em que a cidade está inserida, e se entenda como se tira proveito dos “serviços” que ele oferece.

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No século atual, a humanidade atingirá o pico da urbanização do planeta. Em 2050, já seremos 6 bilhões de seres humanos, dos quais 66% viverão em cidades. O relatório Perspectivas Globais de Urbanização, lançado pela ONU em julho deste ano, aponta que nossa capacidade de construir cidades sustentáveis terá um papel fundamental na garantia de um desenvolvimento mundial com mais justiça, igualdade e prosperidade. Reduzir o impacto que as aglomerações humanas provocam no planeta é uma meta urgente para garantirmos nossa permanência nele.

Isso não significa nos dispersarmos e retornarmos ao campo, ainda que esta seja uma opção para muitos. Significa, principalmente, nesse processo irreversível de urbanização, aprendermos a construir impactos positivos no ambiente em que interferimos, seja ele natural ou artificial.

Goiânia é uma cidade com oportunidades reais para esse desenvolvimento sustentável. Cidade planejada e construída sobre o sertão do cerrado há menos de um século, desde sua concepção incorporou conceitos importantes da ecologia urbana em benefício de seus moradores: inserção respeitosa à topografia; vasta rede de parques urbanos; arborização relevante; presença, mesmo que tímida, de corpos d’água dentro do perímetro urbano.

Todos esses são fatores que facilitam à cidade de Goiânia atingir a necessária resiliência frente às mudanças climáticas, a escassez de recursos e o alto índice de urbanização, que já são todos uma realidade com a qual precisamos saber lidar. Também são oportunidades para a cidade tirar proveito dos serviços ecossistêmicos de seu ambiente, como por exemplo: utilizar a arborização como forma de garantir a qualidade do ar e de amenizar os efeitos das ilhas de calor; drenar mais facilmente a água da chuva e devolvê-la ao lençol freático aproveitando a topografia favorável; formar corredores verdes com a trama de parques, a fim de manter a biodiversidade da fauna e da flora junto aos assentamentos humanos; garantir temperaturas mais amenas no interior das construções com soluções paisagísticas, a fim de reduzir a necessidade do ar condicionado; e tantas outras vantagens que a harmonia entre o ambiente construído e a natureza podem nos trazer.

(Artigo publicado originalmente em O Popular, em 16/11/14).

 

O que deve uma comunidade fazer com a sua terra que não é utilizada? Pam Warhurst, co-fundadora do projeto Incredible Edible, explica como conseguiu, com a ajuda de uma equipa crescente de voluntários, tornar a terra não utilizada da sua pequena cidade em jardins vegetais comunitários e caminhos comestíveis, revolucionando a vida e a economia da sua comunidade.