Nos dias 30 e 31 de Outubro de 2017, o Guangzhou City Image and Design Forum reuniu em Cantão/China artistas, arquitetos, urbanistas e especialistas de diversas áreas de conhecimento para um conjunto de palestras, discussões e workshops sobre arte pública e formas de melhorar o diálogo entre os habitantes e os espaços públicos. O evento teve por base um interesse político manifestado pelo governo da cidade em experimentar novas formas de envolver os cidadãos na construção da cidade, nomeadamente através das artes. A presença de vários representantes do governo de Cantão, incluindo o Presidente da Câmara e o chefe do departamento de urbanismo, comprovou essa vontade de mudança.

Foi neste contexto que recebemos um convite do CIALP (Conselho Internacional dos Arquitectos de Língua Portuguesa) – parceiro do evento – para partilharmos nesse fórum a experiência brasileira que a Sobreurbana realizou em Goiânia com o Casa Fora de Casa: um projeto de Urbanismo Colaborativo, financiado pelo Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás. Partindo do princípio que as pessoas cuidam mais daquilo que conhecem e com que se identificam, o projeto procura transformar o bairro – e a cidade – a partir de dentro, dos cidadãos, começando por transformar o olhar e percepção que eles têm sobre a cidade, os espaços públicos e os diferentes usos. Fomentando a empatia e as relações de vizinhança, promovendo o pensamento crítico e criativo para achar respostas aos desafios locais que não provoquem novos conflitos.

Apesar das diferenças avassaladoras existentes entre Goiânia e Cantão, há problemas comuns em todas as cidades que crescem muito rápido, numa lógica top-down onde os decisores muitas vezes estão desligados da realidade socio-cultural do lugar que estão a planejar. Do mesmo modo, também há soluções que surgem naturalmente se incluirmos a população nesse processo de construção da cidade. O Casa Fora de Casa recorre a ferramentas do design thinking, placemaking e urbanismo tático, assim como a uma diversidade de linguagens artísticas, como forma de levar as pessoas a estabelecerem relações afetivas com os espaços da cidade, e com as outras pessoas que os frequentam, levando-os a questionar o que está errado, mas também a pensar em soluções para os problemas, estabelecendo depois a ponte para que os decisores políticos tenham acesso a esses dados e consigam ter maior base para suas decisões. Para os organizadores, o projeto foi uma lufada de ar fresco e mostrou novos caminhos de construir a cidade. Nada parecido existe em Cantão, porém ficaram muito interessados em replicar alguns dos processos.

O Guangzhou City Image and Design Forum estava inserido no Guangzhou Urban Art Week e foi organizado pela GPAA (Guangzhou Public Artist Association). A GPAA é uma ONG que articula uma rede internacional e interdisciplinar de pessoas e entidades que trabalham com arte e cultura em prol de uma cidade melhor e com melhores espaços públicos, para depois aplicar esse conhecimento para melhorar a imagem de Cantão e a relação da cidade com os habitantes. Com muito orgulho, a Sobreurbana faz agora parte dessa rede e é membro da Guangzhou Public Artist Association.

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As cidades podem continuar a crescer de forma caótica, desrespeitando as necessidades das pessoas e ignorando as consequências ambientais, ou podem adotar um processo de desenvolvimento sustentável que permita fortalecer comunidades, melhorar a qualidade de vida e construir vizinhanças mais prósperas e seguras.

Foi esta reflexão que levou à criação do fórum Future of Places, numa parceria entre a UN Habitat e o PPS – Project for Public Spaces, que foi materializada em 3 conferências internacionais (2013, 2014, 2015) e um conjunto de seminários, exposições e publicações.

O objetivo deste fórum é de reunir um conjunto de estudos e boas práticas para apresentar no Habitat III – a terceira Conferência das Nações Unidas sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável que irá acontecer em Quito em Outubro de 2016 – e reforçar a importância dos espaços públicos e do placemaking no planejamento urbano.

Bons espaços públicos são essenciais para se ter uma cidade próspera. Espaços bem desenhados e planejados contribuem para a economia local, para a saúde, segurança, ambiente, integração e conectividade.

Bons espaços públicos promovem a economia

Bons espaços públicos podem ter um impacto significativo na vida econômica de grandes e pequenos centros urbanos e fazem parte de qualquer estratégia bem sucedida de recuperação de um bairro ou de uma cidade. A qualidade das ruas, dos jardins, das praças, dos parques e de outros espaços públicos são uma importante ferramenta de marketing para atrair investimento e valorizar a terra.

Bons espaços públicos promovem a coesão social

Bons espaços públicos potenciam a interação social e cultural e promovem uma sensação de pertença pela comunidade. Ao serem abertos para a todos os grupos socioeconômicos, independentemente da etnia, idade e gênero, os espaços públicos promovem a democracia, a inclusão social e o combate à discriminação.

Bons espaços públicos promovem a segurança

Bons espaços públicos promovem um uso constante, por diferentes públicos, ao longo do dia. Ruas e jardins movimentados aumentam a sensação de segurança e atraem mais pessoas. Pelo contrário, espaços ociosos e abandonados atraem a marginalidade.

Bons espaços públicos promovem a saúde pública

Bons espaços públicos contribuem para a saúde física e mental. Estes espaços proporcionam boas condições para caminhadas ou exercício físico, para brincar, descansar ou apreciar o lugar. No caso dos espaços verdes, é ainda promovido o contato com a natureza, com todos os seus benefícios.

Bons espaços públicos promovem a mobilidade

Bons espaços públicos podem contribuir para reduzir congestionamentos, tempo de viagem e acidentes, se forem planejados para diferentes modos de transporte e priorizarem rotas caminháveis e cicláveis. Os espaços públicos não são apenas um local para onde se vai, mas também um local por onde se transita. É importante que tenham em conta todos os modos de transporte e ofereça às pessoas a opção de escolha.

Bons espaços públicos melhoram o ambiente

Espaços públicos podem contribuir para a redução de emissões de carbono ao promover modos de transporte a pé e não motorizados, ou ao encorajar o uso de transportes coletivos. Espaços verdes contribuem ainda para a redução da temperatura, purificação do ar e das águas da chuva, preservação de biodiversidade e agindo como sistema de drenagem das águas pluviais.

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Jane’s Walk é um movimento global inspirado nas ideias de Jane Jacobs e que promove passeios a pé com o propósito de explorar e descobrir a cidade e fortalecer a comunidade. O Festival Jane’s Walk é realizado anualmente na altura do aniversário de Jane Jacobs e promove centenas de passeios em simultâneo em cidades de todo o mundo. Em 2015, Goiânia participou pela segunda vez consecutiva no Festival Jane’s Walk com dois passeios.

O primeiro passeio do festival foi conduzido pela Carol Farias, da Sobreurbana, no Setor Sul. O Setor Sul é extremamente sedutor pela enorme quantidade de áreas verdes e quase ausência de prédios, apesar da sua grande centralidade na cidade, pelas vielas que constantemente nos surpreendem e pela extraordinária arte urbana que tem invadido seus muros ao longo dos últimos anos. Foi a 3ª vez que conduzimos um passeio por este bairro, sempre explorando percursos diferentes. Dos 7 Jane’s Walks realizados até hoje, este foi o mais popular, com maior adesão e diversidade, contando com mais de 50 participantes, entre eles: um funcionário do alto escalão da Prefeitura de Goiânia, uma mãe com carrinho de bebê, um cego, crianças, jovens, adultos, vários moradores que pegaram no megafone para compartilhar histórias do bairro.

O segundo passeio foi realizado na Vila Nova e conduzido pela arquiteta Gabriela Silveira, ex-moradora do bairro. O Setor Vila Nova é dos bairros mais tradicionais de Goiânia, construído desde o início para abrigar os trabalhadores que vieram para construir a cidade. Apesar da sua importância, pouco se sabe sobre a Vila Nova e de um total de 17 participantes, quase todos entraram pela primeira vez no mercado e no Parque Botafogo.

No final dos passeios, foi consensual, mesmo entre os que moram, trabalham ou circulam diariamente naqueles bairros, que esta experiência mudou a sua relação com a região e a com a cidade. Foi unânime também o interesse em participar de um próximo Jane’s Walk, e entre as várias sugestões para um novo passeio destacou-se, de longe, o Centro. Será este o nosso próximo destino?

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A campanha Plante Uma Árvore trabalha em prol da recuperação das regiões devastadas da Serra do Gandarela, segunda maior floresta de Mata Atlântica de Minas Gerais e o mais amplo território de cangas ferruginosas do Brasil.

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A Serra do Gandarela localiza-se a 40 km de Belo Horizonte, em meio a Serra do Caraça e a Serra da Piedade, entre os municípios de Barão de Cocais, Caeté, Santa Bárbara, Rio Acima, Raposos e Itabirito. Encontra-se degradada devido ao monopólio da mineração, que devasta todos os seus biomas naturais de mata atlântica e vegetação rupestre, e que também coloca em risco as Bacias Hidrográficas que abrangem o Gandarela – Rios Doce/Piracicaba e São Francisco/Rio das Velhas. Devido a essa degradação, a Ikebana Flores em parceria com o Coletivo Cirandar estão chamando atenção da sociedade para a importância dessa Serra, realizando seu terceiro ano de plantio com mais de 300 parceiros, entre eles guest post* no site SOS Mata Atlântica, Instituto Estrada Real e Programa Território Animal. A cada publicação, uma muda nativa é plantada pela própria Ikebana Flores em um local devastado pela mineração na Serra do Gandarela.

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Acompanhe o mapeamento das áreas dos plantios realizados e confira as fotos do último plantio. Esse ano, 2015, o plantio será próximo aos mananciais da região, em resposta a não preocupação do monopólio da mineração com a crise hidríca.

Até o próximo plantio. SEMEIE ESSA CAUSA VOCÊ TAMBÉM!

* Por Thais Alessandra – Coletivo Cirandar

Foi o ato de caminhar que levou a humanidade à criação da arquitetura e, consequentemente, das cidades. A necessidade de alimentação e de construção simbólica do território para a garantia da sobrevivência levou os caçadores e os pastores do paleolítico a situarem no espaço natural o primeiro objeto marco da antropização – o menir – a partir do qual se desenvolveu toda a arquitetura.

Até hoje, as escolhas que as pessoas fazem das ruas, avenidas e passarelas que percorrem, influenciam diretamente na forma como elas se relacionam com a cidade e com as outras pessoas.

No entanto, a priorização dos veículos motorizados em detrimento aos modos saudáveis de transporte tem consumido o espaço urbano com infraestruturas dedicadas aos fluxos de automóveis, em detrimento ao pedestre e ao ato de caminhar, ainda que a maior parte dos deslocamentos pelas cidades continue sendo feita a pé.

As infraestruturas dedicadas aos pedestres, com menor valor na construção capitalista do espaço urbano, geralmente oferecem às pessoas experiências negativas e passam a ser evitadas, revelando um círculo vicioso: as pessoas evitam andar pelas ruas e as cidades seguem sendo construídas só para os carros.

Com o objetivo de familiarizar as pessoas com as ruas das cidades, a comunidade internacional Jane’s Walk promove passeios comunitários a pé desde 2008, quando foi fundada na cidade de Toronto/CA. A ideia é aproximar as pessoas dos espaços públicos da cidade, incentivando-as a lutarem por melhores condições, fortalecendo assim a vida comunitária. Tudo isso através do ato de caminhar.

A Sobreurbana, que desde sua inauguração em dezembro de 2013 tem promovido desses passeios na cidade de Goiânia, realizou em 21 de setembro de 2014, no âmbito da Semana da Mobilidade, o Jane’s Walk Mais Vida Menos Motor, com o objetivo de discutir sobre mobilidade urbana na perspectiva do pedestre. A atividade aconteceu através de uma parceria com a arquiteta Ana Paula Borba e o ambientalista e cicloativista Uirá Lourenço que levaram pela primeira vez os Jane’s Walks à capital federal. No mesmo dia realizamos um passeio em Brasília e outro em Goiânia, promovendo a mesma discussão e ainda colaborando com a Campanha Sinalize do Portal Mobilize Brasil, através de um questionário sobre a qualidade da sinalização para o pedestre nos trechos percorridos. Dessa avaliação surgiu uma média atribuída a cada trecho de cada cidade, inserida na plataforma on line da campanha, visível neste link. Para as duas cidades a avaliação foi muito negativa.

Goiânia e Brasília são duas cidades planejadas e construídas no sertão do país na primeira metade do século passado, ambas com a função de sediar o poder político – a primeira do estado de Goiás e a segunda do governo federal. As duas cidades foram construídas através de grandes projetos de planejamento urbano, que na época supervalorizavam o advento do automóvel. Como resultado, apresentam malhas viárias muito diferentes uma da outra mas ambas sugerem a segregação, longas distâncias e a alta velocidade, pesadelos diários para pedestres e ciclistas.

Em Goiânia o passeio teve início na Praça Cívica e percorreu importantes avenidas, ruas e alguns becos do Setor Central, buscando observar as diferentes infraestruturas da mobilidade urbana lá instalada: ruas dedicadas ao incentivo da velocidade dos carros, corredores exclusivos do transporte coletivo, sua única rua pedonal, becos e ciclovia. Quinze pessoas compareceram, num domingo atípico devido à realização de várias outras manifestações sociais na cidade, como a Caminhada pelo Clima e a Parada Gay. A discussão ao longo do passeio foi sobre como nós pedestres nos colocamos no meio disso tudo, uma reflexão que passa pela questão da apropriação dos espaços públicos da cidade.

Ao final do percurso os participantes responderam a um questionário com perguntas sobre a experiência do passeio e os espaços visitados. Sobre alguma surpresa que tivessem tido durante o percurso, foi quase unânime a descoberta dos becos do centro da cidade. Desenhados no projeto inicial para serem ruas de serviço (como a coleta de lixo, carga e descarga…) os becos permanecem na malha da cidade como espaços residuais pouco visíveis, e vem sendo tomados por estacionamentos particulares. Questionados sobre a satisfação em relação à situação atual da Praça Cívica, as respostas sempre apontaram para a necessidade de aumentar a arborização, retirar a pavimentação asfáltica e o uso como estacionamento, devolvendo-a aos pedestres. Vale dizer que hoje, cinco meses depois do passeio, a Praça Cívica passa por uma reforma polêmica e muito pouco discutida na cidade, que interfere exatamente nos pontos levantados pelos participantes. Sobre a experiência do Jane’s Walk, as respostas revelaram o prazer em redescobrir a cidade, compartilhando dos vários pontos de vistas e experiências dos participantes, o que nos faz concluir que cumprimos nosso objetivo com o passeio.

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Para o caso de Brasília, o percurso teve início no estacionamento de uma entrequadra (208/408 norte) que fica ao lado de um posto de saúde e contou com 31 participantes, dentre eles, quatro crianças e uma cadela (que não entrou na contagem).

Surpreendente notar que durante o percurso havia o nítido desconhecimento dos espaços pelos participantes, que na maioria, moravam na redondeza do trajeto escolhido, mas só o conhecia por meio dos deslocamentos diários dentro de seus veículos.

Alguns dos pontos debatidos durante o percurso e que são cruciais para o impedimento de uma mobilidade urbana fluida foram: (a) grandes áreas vazias e sem infraestrutura pedonal, (b) presença de vias expressas dividindo a cidade e sendo uma barreira física aos deslocamentos não motorizados, (c) barreiras ao nível do pé (escadas, rampas com alta inclinação, espaços estreitos, etc.), (d) uso compartilhado da ciclovia, provocando certo conflito entre pedestres e ciclistas,  principalmente para pessoas com mobilidade reduzida, etc. Com isso, ratifica-se (mais uma vez) que o desenho da cidade provoca um distanciamento cada vez maior entre os espaços e os seus usuários no que tange a escala humana, fomentando, portanto, o uso desmedido dos veículos motorizados.

Assim como em Goiânia, realizou-se também a análise da sinalização pedonal durante o percurso – considerada em média pelos participantes como muito ruim –, além do preenchimento do mesmo questionário, em que o primeiro item destinava-se a completar a frase em relação ao Eixão: “Se essa rua, se essa rua fosse minha, eu mandava eu mandava…”, interessante notar como a grande maioria, sendo motoristas no dia a dia, mas ali por algumas horas “estavam” pedestres e sentiram a cidade na escala humana e não na motorizada, se deram conta de que aquele poderia ser sim um local de contemplação, com mais arborização, “mais vida e menos motor”.

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Texto escrito com a colaboração de Ana Paula Borba e Uirá Lourenço.

Semana passada a Sobreurbana esteve presente no seminário e workshop ‘Tecnopolítica, Democracia e Urbanismo Táctico’, conduzido pelo grupo de pesquisa Indisciplinar, da UFMG, no âmbito do VAC9 – Verão Arte Contemporânea, em Belo Horizonte.

Dois dias de conversas muito interessantes sobre democracia e cidade, passando pelas rápidas transformações que os territórios urbanos vem sofrendo, o impacto das novas tecnologias nesse processo, o papel do urbanista, a corrupção da memória na era do urbanismo botox e a necessária reinvenção do comum.

Duas descobertas interessantíssimas: o trabalho dos professores Monique Sanches e Maurício Leonard na UFOP, que realizam urbanismo táctico na cidade de Ouro Preto dentro de uma disciplina na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo; e o trabalho do coletivo Micrópolis, um grupo de estudantes que convenceu seus professores a deixá-los fazerem o trabalho de conclusão de curso em grupo, num tradicional bairro de BH – o Calafate – realizando uma série de mapeamentos, micro intervenções e eventos buscando o envolvimento comunitário para testar ações de reconquista do espaço público.

Para amarrar tudo muitíssimo bem, a apresentação do italiano Domenico di Siena, o Urbano Humano que veio ao Brasil exclusivamente para o evento e para dividir conosco seu conhecimento e experiência na atuação com urbanismo open source. Considerando a necessidade de reinventarmos, apoiados na explosão de novas tecnologias, novas formas de interação e construção do urbano, Domenico explorou e defendeu conceitos muito interessantes dos quais destacamos alguns:

  • O cidadão enquanto prosumer – consumidor mas também produtor da cidade.
  • A dimensão glocal – utilizar a inteligência coletiva global de forma situada, para o tratamento de coisas muito concretas, pontuais, locais.
  • A ideia de rede ao invés de comunidade, visto que em rede há horizontalidade, sentido comum ao invés da construção de consensos, e a possibilidade de multi-pertença. Afinal não temos só uma identidade ou só um interesse…

Já buscando o entendimento prático sobre esses e outros conceitos, estivemos nos dois últimos dias do evento produzindo uma intervenção urbana e coletiva na Praça Carlos Marques, no Bairro Calafate, em contribuição ao trabalho iniciado pelo Micrópolis, e que também foi uma ótima experiência para todos nós. Lambes com imagens antigas de pessoas do bairro, lambes sobre a Operação Urbana Consorciada do qual o bairro está sendo alvo, brincadeiras para crianças e adultos, troca de histórias pessoais por livros usados, foram algumas das ações realizadas.

A ação em que a Sobreurbana esteve diretamente envolvida foi uma instalação no coreto da praça, local que sempre abrigou moradores de rua, personagens identificados pelos moradores como o maior ‘problema’ do local. Para questionar a forma como as cidades tratam os moradores de rua, desenhamos a planta de uma casa no piso do coreto e escrevemos um versinho singelo em sua escadaria, para reforçar que o caráter público daquele lugar, o torna tanto meu, quanto seu, quanto de um morador de rua.

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Urbanismo táctico, emergente, open source… experiências que vamos compartilhando para construir a inteligência coletiva global que silenciosamente já está transformando o mundo.

Você acredita nisso?

 

De volta das tão sonhadas e merecidas férias, iniciamos 2015 com muito orgulho de todo trabalho produzido em 2014. Um ano assim tão recheado só foi possível com a sua participação, interesse e ótimas energias, que nos inflamaram em nossa missão de contribuir para a melhoria das cidades que habitamos. Muito obrigado!

 

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Foi com muito suor e prazer que a Sobreurbana realizou entre 24 e 30 de novembro/14 a 1ª Semana da ecologia Urbana de Goiânia. E esperamos que tenha sido a primeira de muitas oportunidades para aprendermos a construir uma cidade onde todos nós caibamos nela, junto com os prédios, as ruas, as árvores, os rios, o sol, o céu, os bichos, em harmonia.

Nossa programação buscou sensibilizar e preparar tecnicamente para a construção da resiliência da nossa cidade, tratando de temas como: infraestruturas urbanas verdes, serviços ecossistêmicos, desenho sensível à água e a permacultura, com destaque para alguns de seus artifícios como os telhados vivos, os jardins de chuva e os jardins verticais; o movimento de transição e a metodologia cradle to cradle; o cicloativismo, a agricultura urbana e a sustentabilidade do mercado frente aos desafios da escassez de recursos e as mudanças climáticas. Iniciamos a discussão com a exibição do filme “Home – Nosso Planeta, Nossa Casa” e encerramos com um passeio para observar e conhecer as árvores da cidade. E ainda iniciamos juntos, e a partir do absorvido ao longo da semana, uma “Carta para Goiânia”, onde vamos pontuar as questões que entendermos necessárias para a nossa cidade, resultando em um documento que oriente nossas ações futuras e reivindicações ao governo, além de formar a pauta para a próxima Semana da Ecologia, em 2015. Esse processo está sendo conduzido pelo murAU de Ideias.

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Essa intensa e diversificada programação que conseguimos montar, só foi possível devido a parceria que estabelecemos com vários indivíduos, grupos e instituições: o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás – CAU/GO e o Sindicato dos Arquitetos de Goiás, que foram os primeiros a acreditarem e apoiarem o projeto; Mr. Dusty Gedge e Mr. Gary Grant, do Green Infrastructure People, que nos inspiraram a idealizar o evento; a PUC Goiás, especialmente através do Departamento de Artes e Arquitetura e do Centro Acadêmico Livre da Escola de Arquitetura – CALEA; a Prefeitura Municipal de Goiânia, especificamente através do Departamento de Agricultura Familiar da SEMIC; o Programa de Pós-graduação Projeto e Cidade da UFG; Sebrae Goiás; a ANTP – Regional Centro-Oeste; o projeto “O Futuro da Minha Cidade” através do SINDUSCON, ADEMI e SECOVI; Tyba Hostel; Cine Cultura; nossos palestrantes, oficineiros e fornecedores; Elisa França e Maria Ester, fundamentais para os trabalhos de divulgação e produção do evento; aos amigos Áureo Rosa, Carolina Camargo, Diogo Santos e tantos outros que de alguma forma nos apoiaram e acreditaram na importância desse projeto. Muito obrigada!

ECOLOGIA URBANA é uma recente área de estudo que, extrapolando a ideia de natureza virgem trabalhada pela ecologia tradicional, busca compreender o ecossistema da cidade, um amálgama de natureza e artificialidade, a maior invenção humana. Mas, como em todos as nossas criações, às vezes acertamos, às vezes erramos. Em relação às cidades e ao impacto que elas causam ao planeta, não temos mais tempo para tantos erros. E temos muita informação para nos convencermos de que os recursos naturais do planeta não são infinitos e que tudo acontece nele numa relação muita clara de causa e efeito. Se somos todos frutos de um grande Big Bang, somos todos partículas de uma mesma célula chamada universo. É infantil e equivocado olhar para os seres humanos como seres superiores aos outros animais, às pedras, ou às ervas daninhas. Ou aprendemos a coexistir numa relação de equilíbrio com todas as partes do ecossistema, ou seremos em breve eliminados dessa equação.

Por isso as CIDADES são o objeto de estudo da vez. O relatório “Perspectivas Globais de Urbanização”, lançado pela ONU em julho deste ano, aponta que em 2050 seremos 6 bilhões de seres humanos na Terra, dos quais 66% viverão em cidades. Esse processo de urbanização intensa é muito recente na história do planeta, e muito injusto. Estudos apontam que 20% das pessoas no mundo consomem o equivalente a 80% dos recursos disponíveis. Esse desequilíbrio se deve em grande parte aos processos de urbanização que conduzimos, baseados no consumo exacerbado de todas as coisas e no crescimento irracional em todas as direções. Esse modelo não tem sido positivo nem para o planeta e nem para nós. Precisamos fazer diferente.

Como? Utilizando a arborização como forma de garantir a qualidade do ar e de amenizar os efeitos das ilhas de calor; gerindo melhor os fluxos da água, seja no solo, nos mananciais ou no ar; formando corredores verdes com a trama de parques, a fim de manter a biodiversidade da fauna e da flora; reduzindo, reutilizando e reciclando tudo, sempre; utilizando energia limpa; plantando alimentos mais perto de onde estão as pessoas; diminuindo a nossa dependência dos automóveis; aprendendo tolerância e cooperação entre pessoas e comunidades; e tantas outras possibilidades de harmonia entre o ambiente construído e a natureza.

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A SOBREURBANA é um estúdio criado ano passado aqui em Goiânia para o desenvolvimento de intervenções urbanas e gestão cultural. Nosso propósito é contribuir para a transição da cidade que temos hoje para uma cidade mais tolerante, justa, saudável e centrada nas pessoas. Acreditamos em e trabalhamos para o empoderamento das pessoas nas tomadas de decisões e na construção de ambientes mais aprazíveis e dignos. E sabemos que o protagonismo das comunidades depende de uma relação de maior afeto e cuidado entre pessoas e lugares, do entendimento de que nós, pessoas, somos a nossa cidade. Nesse sentido, a 1ª Semana da Ecologia Urbana de Goiânia é para nós, Sobreurbana, um marco que encerra nosso primeiro ano de ações voltadas para a sensibilização das pessoas em torno das questões urbanas, do ambiente que construímos.

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Que venha 2015 e muitas outras Semanas cheias de Ecologia Urbana!

Geralmente, quando se fala em ecologia, o que primeiro vem à mente é a natureza virgem e a necessidade de preservá-la. Mas, na realidade, o termo se refere à relação entre os seres vivos e o meio em que habitam. Portanto, abrange também as cidades, que são o ambiente construído pelo homem para ser seu habitat, moldado às suas necessidades. Ainda de forma simplista, quando se fala em ecologia urbana a tendência é discutir somente sobre como inserir a natureza na cidade, ou sobre como melhor inserir a cidade na natureza.

A proposta da 1ª Semana da Ecologia Urbana de Goiânia, que será realizada de 25 a 30 de novembro, é de abordar a cidade como o sistema vivo e complexo que é – um amálgama de natureza e artificialidade. O objetivo do evento é propor que se aprenda com o ecossistema em que a cidade está inserida, e se entenda como se tira proveito dos “serviços” que ele oferece.

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No século atual, a humanidade atingirá o pico da urbanização do planeta. Em 2050, já seremos 6 bilhões de seres humanos, dos quais 66% viverão em cidades. O relatório Perspectivas Globais de Urbanização, lançado pela ONU em julho deste ano, aponta que nossa capacidade de construir cidades sustentáveis terá um papel fundamental na garantia de um desenvolvimento mundial com mais justiça, igualdade e prosperidade. Reduzir o impacto que as aglomerações humanas provocam no planeta é uma meta urgente para garantirmos nossa permanência nele.

Isso não significa nos dispersarmos e retornarmos ao campo, ainda que esta seja uma opção para muitos. Significa, principalmente, nesse processo irreversível de urbanização, aprendermos a construir impactos positivos no ambiente em que interferimos, seja ele natural ou artificial.

Goiânia é uma cidade com oportunidades reais para esse desenvolvimento sustentável. Cidade planejada e construída sobre o sertão do cerrado há menos de um século, desde sua concepção incorporou conceitos importantes da ecologia urbana em benefício de seus moradores: inserção respeitosa à topografia; vasta rede de parques urbanos; arborização relevante; presença, mesmo que tímida, de corpos d’água dentro do perímetro urbano.

Todos esses são fatores que facilitam à cidade de Goiânia atingir a necessária resiliência frente às mudanças climáticas, a escassez de recursos e o alto índice de urbanização, que já são todos uma realidade com a qual precisamos saber lidar. Também são oportunidades para a cidade tirar proveito dos serviços ecossistêmicos de seu ambiente, como por exemplo: utilizar a arborização como forma de garantir a qualidade do ar e de amenizar os efeitos das ilhas de calor; drenar mais facilmente a água da chuva e devolvê-la ao lençol freático aproveitando a topografia favorável; formar corredores verdes com a trama de parques, a fim de manter a biodiversidade da fauna e da flora junto aos assentamentos humanos; garantir temperaturas mais amenas no interior das construções com soluções paisagísticas, a fim de reduzir a necessidade do ar condicionado; e tantas outras vantagens que a harmonia entre o ambiente construído e a natureza podem nos trazer.

(Artigo publicado originalmente em O Popular, em 16/11/14).

 

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Semana que vem, dia 24 de Outubro, Goiânia completa 81 anos de ocupação do cerrado. Para comemorar, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás convidou vários criativos, coletivos e descolados para comporem uma agenda de atividades que convidem à ocupação da capital. De 11 de Outubro a 2 de Novembro teremos várias atividades gratuitas, lúdicas, cívicas e deliciosas celebrando a cidade que somos e refletindo sobre a cidade que estamos construindo dia-a-dia.

A Sobreurbana ocupa Goiânia em duas ações:

Uma delas é a Escola de Parklet com o Instituto Mobilidade Verde-IMV, num curso de 17 a 19/10 no espaço mais criativo da cidade, o Coletivo Centopeia.

Mas… Parklet é o que mesmo? É um prolongamento da calçada, como uma mini praça sobre uma ou duas vagas de estacionamento. Uma proposta lançada em São Francisco/ EUA, para discutir sobre uma redistribuição do espaço urbano entre carros e pessoas. Ano passado o IMV fez o primeiro parklet em São Paulo e neste ano já conseguiu que a prefeitura regulamentasse a execução desse mobiliário urbano na cidade, através do Decreto 55.045/2014. Esperamos com essa ação, exercitar nossa imaginação sobre a qualidade dos espaços públicos de Goiânia e abrir o caminho para a construção de parklets aqui no cerrado. Quem quiser se inscrever, envie um e-mail para info@sobreurbana.com informando nome, telefone, idade e profissão/atividade. Mas corra porque são só 24 vagas!

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A outra é uma Prototipagem de Intervenção Urbana na Praça Universitária, que a Sobreurbana vai desenvolver no decorrer de todos esses dias. Prototipagem? Sim, e significa exatamente o que o termo quer dizer: experimentação. É uma nova tendência na feitura de espaços públicos, segundo o preconizado pelo placemaking e o urbanismo táctico, na tríade ‘mais leve, mais rápido e mais barato’.  A ideia é experimentar soluções, sendo o experimento já uma proposta de uso imediato, que ao longo do tempo vai sendo legitimada ou não pelas pessoas, para uma posterior intervenção definitiva, se for o caso. Quer um exemplo? A Sobreurbana participou no mês passado da 1º Oficina do Cidades para Pessoas onde prototipamos uma intervenção na Passarela Rebouças, em São Paulo, que resultou no projeto Passanela, lançado no Catarse para financiamento coletivo.

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Junto à entrada do Palácio da Cultura, na Praça Universitária da capital goiana (parte de cima da praça), temos instalados desde abril dois painéis do projeto Before I Die, os quais substituiremos por uma nova brincadeira que também buscará interação com os transeuntes através da escrita e da leitura. Acompanhe nosso trabalho lá no local ou aqui em nossa página.

Participe e ocupe sua cidade, todos os dias, todas as ruas. Seja a sua cidade!